NOTURNO

E o mar espumou seu canto de guerra... O dia fez-se noite e a escuridão dominou o Universo. O manto escuro cobriu as nuvens, enlaçou-se a palmeira mais alta, percorreu os muros solitários, chegou ao chão e escondeu a Terra.

O som monótono e estridente de uma cachoeira faz eco negro ao estribilho do mar... Nem mesmo a nuvem d'água, cartão de visitas de uma cascata, se avista nas trevas. Nem mesmo a garça majestosa na sua penugem alva, consegue atravessar o negror profundo e se fazer notada. E o vento, se soprasse, seria apenas um sibilar longínquo e apagado, qual chocalho de serpente enraivecida, pois o borbulhar das ondas tudo anula. Até a coruja solitária abafou seu piar soturno e se escondeu, amedrontada, no velho celeiro abandonado.

Perderam-se as montanhas, diluiram-se os arranha-céus. A linha do horizonte não existe nessa paisagem negra. O céu e a terra fundiram-se na noite escura. Nada se avista.

Talvez a lua cansada tirasse uma noite de folga... Talvez as estrelas se perdessem em sua rota giratória... Ou foram as nuvens revoltadas que interceptaram os raios do sol?

Giustina
Enviado por Giustina em 15/10/2009
Reeditado em 14/05/2015
Código do texto: T1866865
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