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O CONVEXO E O CÔNCAVO
   (((A PROCURA DO ENCAIXE PERFEITO)))

 
 
            O Côncavo e o convexo pareciam procurar seus encaixes perfeitos. Como poderiam achar um caminho assim, que os alinhassem em uma mesma direção? Estruturas contrárias, placas de contra mão, viagens e desencontros em encontros siderais. O convexo se convergia em feixes de luzes que se deixavam atravessar sua alma transparente, o côncavo divergia energia, absorvia paradoxalmente suas entranhas, invadia espaços, enquanto o convexo os procurava, preenchendo-os de cores, de sonhos, numa busca cega, sem tato, virtual, sem cheiro, sem cor, sem gosto, intensamente envolvente. O côncavo já não sabia se se deixava navegar, trêmulo, entre mares calmos e revoltos, marés de esperas, espumas na praia, sereia encantada!
     O côncavo e o convexo, ocupando espaços iguais e diferentes, latentes e ardentes, mutantes, divergentes. O convexo sente! O côncavo desmente demente, insano! O convexo, profano, o côncavo presente, mormente! Convexo e côncavo, anjos e demônios, cobras, lagartos e serpentes. Figuras de mitos em ritos e gritos crescentes, sacerdotes em túnicas alvas de algodão, lírios que perfumam taças de carmim em altares de mármores forjados no tempo, relento de estrelas, luz de luar, esteio de desejos enfim!
     O côncavo e o convexo, encaixes perfeitos, um na sua convexidade o outro na sua concavidade, espaços partilhados, colados, finitos em suas formas, luz na escuridão, eternos em seu amar!
Ricardo Mascarenhas
Enviado por Ricardo Mascarenhas em 24/11/2009
Reeditado em 03/10/2016
Código do texto: T1941435
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