O mistério da vida é não haver mistério algum

O mistério da vida é não haver mistério algum, somos assim nós quem temos pela frente todo um mundo por decidir. Quem foi que disse que isto tem de ser assim e aquele outro daquela maneira, desvendado o mistério, outro se impõem, tudo morre e jaz, agonizando no chão, a vontade do homem. Não há neste mundo, ou noutros a haver, duas coisas iguais, uma mesma pedra lapidada, segundo métodos iguais, nunca encontra semelhante entre as suas, ainda que atenda a formas e medidas, que as mãos do artífice de há muito acostumaram-se a ritualizar, é por essa razão que existem o que chamam de pedras “brutas” e pedras “puras”. Há aqui algum mistério, que não o saber-se mistério já, só porque se definiu que era

das profundezas da terra, que a pedra tumesceria ou viveria? Vide minhas mãos, vide meus olhos, que contêm eles de misterioso? As mãos, com que me emudecido, os olhos que prevalecem, são só o reflexo do caminho, com o qual me percorro diariamente...

Jorge Humberto

12/02/05

In De Profundis

Jorge Humberto
Enviado por Jorge Humberto em 30/07/2006
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