DESILUSÕES DA ROÇA

No terraço da palhoça olho a vida,

vejo a roça e lamento o meu penar.

É de dar dor, agonia , tudo parece

nostalgia e poucos vêm ajudar.

No alvorecer do dia, rezo uma prece,

Ave Maria! E na lida vou me lançar.

Meu valor é quase nada quando

olho a vida, da calçada e me ponho

a lamentar.

A aflita vida na roça mais parece

triste sina onde vivemos desprezados,

acabrunhados, quebrantados e outros

vivendo 'por cima' do nosso infeliz

padecer.

E ao final da dura luta, ao fim do dia,

depois de toda labuta só resta

descansar. Ouvindo o canto dos

pássaros, na varanda, no terraço,

para me reanimar.

E chegado novo dia depois de

longa e indormida madrugada fria

volto a trabalhar. Já cansado,

alquebrado, e sem forças para continuar.

Meus direitos, meu senhor, não são

tão assegurados. Padeço de coisas

ruins, em cima, em baixo, para tudo

quanto é lado, o que tenho lamentado.

Depois de tanta labuta o que resta desta

luta? Meu sofrer, meu padecer,

um triste e penoso caminhar...

Sei que em meio à intempéries,

sofrimentos e desalentos, não posso

desanimar. Continuar lutando, pelejando,

buscando e mesmo na velha vida, vida

nova a conquistar.

Ah! Eu sei, que um novo dia sempre a de

irradiar!? Então renovarei minhas forças,

e arrumarei minhas trouxas e, nada tendo

por aqui, um outro caminho vou pisar.

José Luciano
Enviado por José Luciano em 16/02/2010
Código do texto: T2089981
Copyright © 2010. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.