SUBMERSOS
®Lílian Maial
 


A chuva crava pingos-pregos na carne da palavra. Cala impiedoso deságüe. Total atrevimento, irrequietas águas. O Rio submerso.
A terra, ferida terra, sangra húmus e homens. Nada se move. O homem é grão. O lixo é o pão. Recende a lama, lágrima, escansão.
Um Rio celeste encharca a poesia. Respingam versos na falta de espaço. Entre prédios e barracos soçobra um infiltrado de (m)águas. Espirra, nos olhos do dia, o espanto desolado. 
Na correnteza, um pequeno galho flutua o absurdo. Puxa a rotina e as certezas.
Afundadas em si, poças de esperança. Espelho d’água. Reflete e transborda. Arranca, joga e (des)mata.
Dói abrir a janela. A realidade inundada. Ao útero da terra retornam em silêncio.
A chaga se desvanece líquida.
Nada a fazer, senão lavar a sujeira, enxugar o grito, evaporar.
Navegar é preciso.
 
*******************