O tempo sem ti


                    Para Luiza S. do Prado
 
O tempo. Quando tu não estás, o tempo é sucuri em fim de digestão; arrasta-se lento. Tudo passa num vagar solitário e o pranto que de mim brota feito rio torna-se mar. Amigo da melancolia, primo-irmão da solidão, o tempo ri da minha louca desmesurada paixão.
Quando tu vens, o tempo é falcão-peregrino. Veloz, passa como raio, descarga elétrica que mata, mata, mata. E tu ainda tens tanto que fazer. Tantos a visitar... Tudo sem sequer me considerar.
Tu chegas com teu sorriso e olhos de aurora polar. Dourada. Fenômeno luminoso, raios e feixes de luz, leques, véus brilhantes e coloridos, resultante do encontro das partículas do meu amor com a luz que emana de ti.
Ver-te chegar é melhor que viver. Vale por uma vida inteira.
Perto de ti minha vida é só luz e calor morno, aconchego de mãe amorosa. Cafuné de pai carinhoso. Beijo ardente de amor eterno.
Tu, quando vens, fugaz como tudo que é perfeito, superas qualquer alegria e todo prazer. Tu, somente tu, és capaz de tornar minha vida completa e perfeita. A vida sem ti passa, passa, passa... e arrasta meu coração. E o mundo, sem ti, mesmo que eu me chame Raimundo, não tem solução.
Andas como as libélulas, jaçanãs, papa-vento..., livre como os vendavais e carregas a beleza do beija-flor, e, de flor em flor, sugas o meu amor.
Sem ti, o tempo é moroso, preguiçoso. Contigo, é ligeiro e ardiloso, mas venturoso por mais célere que minha ventura possa ser.
Meu amor por ti é erva daninha, nada há que o possa deter.


Brasília, 03.11.2011
 
Sena Siqueira
Enviado por Sena Siqueira em 03/11/2011
Reeditado em 28/10/2020
Código do texto: T3315839
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