Palavras não podem ter mais sentido que o rumor das águas;
Que o vôo livre das águias ou que o pulsar da aurora!
Palavra são universos, são sóis, são luas e astros...
Quiçá, permita ser eu mesmo ao decifrar vários sofismas e cores,
mesmo mortas ou vivas na lousa do infinito...
Diga não aos preconceitos,  homofobias,  fobias...
de qualquer sorte...hipocrisias ou racismos!
Palavras não podem ser imunes às brechas e desditas do passado;
Marchar...determinado a passos largos e bem firmes na linha do tempo...
No mesmo enredo; no mesmo cenário; mesmos personagens de outrora.
Violência, segregação... e desunião!
Diga  sempre...não!
Em berço esplêndido, diria - Pura ilusão!
Oh gigante adormecido sob lençóis da desigualdade!
Renunciar aos ressentimentos e vergonhas abissais... ao penetrar no outro;
Esta casa deverá ser cuidada de forma melhor do que ela merece.
Mas como poder exigir-se, ou mesmo,  como se permitir?
Como poder tratar alguém de uma maneira que não merece?
Lembre-se:  nossa palavra poderá ser e será, talvez, um dia...
a maior e mais alta emanação da nossa sensibilidade e criatividade...  a inteligência... sendo a forma mais eficaz e original...
  forma de utilizar esse vetor que é a palavra...
bem direcionada para levar à essa transformação...  tão esperada,
e  a partir daí, um novo recriar desses valores imprescindíveis na terra!
E, portanto, será um traduzir indelével, ajustador,
de estilos, épocas e reverberações... multifacetadas,
angariando novos  sentidos para decodificar as belezas e mistérios da vida!
 E, principalmente, por-nos em contato direto com a nossa natureza, e  assim, adaptar-se inexoravelmente, aos nossos sentidos e gostos...
do corpo e d'alma em ebulição, efervescente...
em compasso com os nossos órgãos vitais e ondas cerebrais.
Incrivelmente, diria: a palavra rosa teimava em renascer - dentro de mim...
dentro da memória inscrita do dia a dia... com talvez fizesse o nosso jardim...
que ao acordar em leveza e sutileza sob sóis de esperança...
e orvalhar das manhãs... refulgentes!
Apesar da fúria dos homens e da insensibilidade de alguns...
que não percebem o jardim das flores da saudade...
e o jardim das lembranças, esquecidas na voz do tempo que não pára!
Ah, depois de crescer, descobrimos que, para os outros,
Não éramos precisamente isso que somos, ou sonhamos...
Mas aquilo que os outros vêem, nem sempre reflete nossa alma...
Sob espelhos retorcidos; côncavos ou convexos na hora da chuva...
Umbrais que separam riquezas da miséria; homem de mulher,
Criança da infância e amores da eternidade...
Porém, ter pena de si mesmo é uma viagem sem volta,
Que não nos levará a lugar nenhum; ou lugar algum!
Retenhas e decifres à sua capacidade de tolerar,
De amar, de rir e quiçá, de novamente sonhar...
Para não traduzir a  vida...  como um joguete de sorte ou azar:
se acreditas ou pensas assim, vais perder sempre!
O problema não é receber boas cartas durante o jogo...
mas usar as que lhe foram dadas...com dignidade e paciência!
Afinal, poeta defunto ou defunto poeta, não inporta:
é uma questão de prisma ou ponto de vista - apenas.
Escolher os dois lados da moeda; suas cartas estão expostas na mesa,
Na visão do outro e no desnudar memórias!
Deleitar-se, abrir-se, fluir-se...
Eis o seu legado:
Eis a palavra pronta, santa ou inacabada na voz do poeta...
Que te acorda... desafortunadamente... mesmo se tem chuva!
Mesmo que a hora estremeça... e mesmo que o sol se deite.!
Estarei assim, leve... e solta ao vento...irei onde sua imaginação me levar...
e estarei quase completa no frenesi... da hora que escoa dentro de mim,
ao molhar o seu jardim: com fel ou ácido; néctar ou elixir!
   Num dèjá vu... sem fim!

  
Elzana Mattos
Enviado por Elzana Mattos em 24/01/2012
Reeditado em 24/01/2012
Código do texto: T3459452
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