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Bebo calada, as palavras que eu não derramo

 

Nesse mundo que te guarda quieto, as palavras que semeio e rego sem

 o carinho dos teus olhares atentos, vão se alastrando e forrando

o meu chão qual fossem caminhos plantandos para mim...

Em cada dia que os ponteiros vão e vem , se misturam como as estações

que perderam a noção, mesclo a realidade ao sonho, tentando encontrar

portas e saídas, por onde minh'alma possa debandar...

Há uma imensidão de desejos e vontades escapando pelos meus olhos,

fugindo  pelos vãos dos dedos...e os sonhos vão ficando tão distantes...

como se na estação eu estivesse vendo partir e chegar tantos trens,

nem uma esperança desembarcando...mas tantos sonhos partindo...

O peso do dia a dia está cada vez maior , já que nele a realidade anda

mais e mais presente, deixei por algum vão que ela adentrasse nos meus

átrios...e ela arrombou meus cadeados, entrou, e se acomodando

dentro dos meus dias foi ficando senhora das minhas horas...matando

minha poesia, atando -me a dureza das horas, a crua frieza

dos teus desmandos...

Prisioneira do amanhecer descontrolado, afobado...vou me enredando

pela cobrança ...enquanto minhas palavras sobem à borda dos

meus lábios travados...se perdem pelos dedos atarefados...

Engulo as palavras e tenho enxaquecas, intoxicações...sonhos só

das noites  ansiosas...não há esperanças que guardem minha cabeça

maciez do travesseiro...

Fujo no meio fio do atropelo e bebo calada as palavras que não derramo...

Ora  estou embriagada por pensamentos tolos, ora bebada pelos

anseios...no meio de tanta algazarra de mim, reservo-me

nesse espaço miúdo que preservo para ainda semear em meio a toda

essa loucura, um pouco de mim...até quando...não sei...
Angélica Teresa Faiz Almstadter
Enviado por Angélica Teresa Faiz Almstadter em 17/07/2005
Código do texto: T35163
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Angélica Teresa Faiz Almstadter
Campinas - São Paulo - Brasil, 66 anos
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Angélica Teresa  Faiz Almstadter