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Desentendimento

Se procurássemos o sentido real das palavras baseando-nos naquilo que exatamente queremos dizer e que refletisse exatamente aquilo que sentíssemos, como se fosse a própria realidade sentida, deveríamos refazer um léxico de sinceridades. Um léxico onde a mente, a voz e a escrita estivessem de comum acordo . Procuraríamos a palavra que ainda não nasceu e, que ainda não tem nenhuma imagem em si, que não refletisse a nada que exista: a gênese da palavra e, nela, tivesse um único sentido, um único conceito.

A lua não teria o brilho atribuído ao rosto da pessoa amada e nem seria a namorada platônica do sol que, vez por outra, se encontram (em eclipses); o pôr-do-sol não teria imagens de saudades nem entristeceriam a alma dos nostálgicos; a música (objeto enfeitiçante) só seria audível e não provocaria outras sensações. E, para cada palavra, o seu significado seria único.

Não haveria a mentira e nem o mal-entendido, o duplo sentido e o engano. O que quisesse ser dito, seria sem imagem de dúvidas. A ação concordaria com a palavra e o contrário. Seria, então, a sinceridade.

Maravilharíamo-nos quando ouvíssemos falar de felicidade e sentiríamos felizes e quando falassem aos nossos ouvidos sobre o amor, exultaríamos. Se Deus é a Palavra, que seja, então, reverenciada e não engaiolada em grossos dicionários com seus conceitos e definiões trabalhadas cientificamente.

A palavra é livre, como o amor.

Ela quer criar, fugir do poder daquele que escreve e ser ela mesma. Única. Quer ser ilimitada em conceitos. Quer servir a poetas da mesma forma que a cientistas da mesma forma que a incultos da mesma forma que a crianças. Se disséssemos a palavra "tonto" tería o mesmo ao poeta, ao cientista, ao inculto e às crianças. O que mudaria seria a sua roupagem. Largada, engravatada, simples e com cheiro de talco.

E se um dia eu dissesse que te amo, você não duvidaria de mim. Saberia exatamente, pela força que a palavra divina tem, que se trataria do maior sentimento que se pode partilhar com o outro. E você sentiria o amor que sinto por que não existiria a mentira em palavra alguma. Amor seria amor e não outro sentimento que não fosse amor.

Enquanto não é assim eu digo que te amo e você acredita que eu gosto de você. E assim nos vamos entendendo até que nasça a palavra com o seu sentido real.

Vou fazer amor com as palavras e engravidá-las de um sentido único para que você entenda que eu te amo.
Walter Welington
Enviado por Walter Welington em 30/01/2007
Código do texto: T364149

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Sobre o autor
Walter Welington
Brasília - Distrito Federal - Brasil
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Walter Welington