Flamância da fome
 

          Sob a sombra do flamboyant espio ao longe uma casa grande. No telhado em flambagem, observo suas seções de flange e, numa delas, uma flâmula de flanela. O vento forte, soprando do norte, batia nela, fazendo-a tremular... Um som vindo do estômago me lembrou que eu ainda não almoçara, desde que havia saído das bandas das caiçaras, para onde havia ido, aventurando-me a desbravar aquelas paragens que sempre me fascinaram. E, sentindo fome, dirigi-me à chácara, onde minha mãe já me esperava para saborear o delicioso almoço que preparara... Eis que, de súbito, meu coração flameja, deixando-me tremelicante: lembrei-me do sonho que tivera na noite passada; bem da cena em que um caçador faminto, flagelante, munindo-se de um flame, com olhos flamantes, sangrava friamente um flamingo, já fraquejando, vítima da flagrante e fremente fome daquele homem de fuça fulminante.

AURISMAR MAZINHO MONTEIRO
Enviado por AURISMAR MAZINHO MONTEIRO em 23/05/2012
Reeditado em 23/08/2021
Código do texto: T3684228
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