Forever

Vejo sinais em toda parte, mas os sinais não me dizem o que fazer, e tudo o que faço, é observar os sinais, e ignora-los e ao mesmo tempo aguardar o próximo, o próximo já foi, e o que foi já não é mais o que era, então tudo deixa de ser o que é, e esperamos tudo diferente, mas nada há de novo debaixo do sol, logo o futuro é um grande plagio do passado, e o passado de nada vale, não passa de um grande e profundo abismo, perdido em trevas, e quando tentamos ver o que tem lá não detectamos nada, mas o inexplicável é que nós sabemos exatamente o que há e mesmo assim não compreendemos. O entristecedor é que o abismo só aumenta e já são 249 milhões de calados e o que há no fundo é simplesmente uma criança chorando. Não choro mais, mas a criança ainda é a mesma.

No espelho a grande prova de que já foram percorridos milhões e que faltam milhões a serem percorridos. Continuarei ignorando os sinais óbvios que me conduzem ao lugar certo, sendo a mesma criança de sempre, só espero reaprender a chorar.

06/05/05