ESPAÇOS VAZIOS

Enquanto tentamos matar a cobra

As moscas se alimentam de nossas sobras

Se alguém te pedir ajuda nunca se esqueça das ervas daninhas

O melhor tempo que as tivemos pra perder

Foi o momento em que passamos dormindo

Em que no colo do travesseiro tua cabeça se aninha

Hospitaleira e boa nada se compara com a nossa caminha

Como as andorinhas que reconstroem seus antigos ninhos

Que já o haviam habitado e comem em pleno voo todo e qualquer iinseto que encontram pela frente

Comida alada descolada no ar diluída no espaço

Como traços de vírgulas transparentes

E não fazem a primavera se não estão unidas

Fugindo do frio para o sul em troca de temperaturas quentes

Fazem suas arquiteturas de lama, barros e argilas

Todo cuidado é pouco nem tudo que é gente gemente

Falamos tanto de verdades

E vivemos dentro de uma bolha de mentira

Nos deram um nome e uma identidade de papel

E quando morremos tudo fica debaixo do cèu

Sente o que a gente sente por dentro de nossa

Semente de gente

Apenas vivemos porque a morte é outra casca

É uma outra ilusão que vive por dentro da gente...

Jasper Carvalho
Enviado por Jasper Carvalho em 13/08/2012
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