Memória


Nos olhos da criança, há flores.
Memória do tempo em que flores não lembravam campas.
Nas mãos do pobre, há espera.
Memória do tempo em que as mãos recebiam
No corpo do jovem, há energia.
Memória do tempo em que a energia transpirava
Nos passos do velho, há segurança.
Memória do tempo em que era possível segui-los.
Nos ombros do amigo, há um porto.
Memória do tempo em que havia âncoras.
Nos dedos da moça, há prendas.
Memória do tempo em que elas continham açúcar.
Na voz dos aflitos, há gritos.
Memória do tempo em que havia soluções.
No canto dos cisnes, há adeus.
Memória do tempo em que havia lagos.
Nas asas do gaivota, há infinito
Memória do tempo em que havia Capelo.
Na partida de cada um, há lágrimas.
Memória do tempo em que havia volta.
Nas ondas do mar, há espumas.
Memória do tempo em que elas beijavam a praia.
Nas estrelas do céu, há brilho.
Memória do tempo em que elas iluminavam.
Na cabeça de cada um, há sonhos.
Memória do tempo dos sonhos possíveis.
E o que fazer, em tanto caos?
Memória...de nada!