Liberdade em que sentido? Será que temos?
 
          Não me considero livre, mesmo que eu não vivesse o aprisionamento da ditadura social da nossa época, que nos enlaça sem afetos, nos amarra no seu padrões supostamente corretos e adequados para todo mundo,como se fóssemos pintos saídos de chocadeiras, sem direito de correr, ciscar, dar pequenos voos e morar onde quiser, comendo o que encontrar, como eram seus ancestrais. Pois estes tinham liberdade vigiada, porque nos reinos das vidas animal e vegetal, a liberdade acontece sobre o domínio da natureza.
 
          Assim da forma como penso na palavra liberdade, ninguém é de fato livre... porque já dependemos do outro desde a nossa concepção. E depois de nascermos, vamos a cada dia, nos prendendo de formas lindas por laços afetivos... E não são só, os laços afetivos que nos prendem de forma livre...
          Existem as convenções sociais das quais somos prisioneiros por suas imposições muitas vezes sem lógica, que nos querem modelar como se fóssemos resultados de uma produção em série. Essa imposição social, pela qual somos submetidos às vezes sem sequer percebermos, é maléfica, pois nos torna escravos de uma falsa liberdade... Sendo assim, livre sem laços a nos prenderem ninguém é... e nunca poderemos ser. Porque sem o outro não existimos, e isso já nos faz sermos dependentes.
 
         E essas formas de dependência afetiva em relação ao nosso ser subjetivo, que antes falei, estas sim, são necessárias para nossa vida. Pois já nascemos numa coletividade com uma determinada cultura, que nos ensina seus valores e princípios éticos. E de tudo isso precisamos para vivermos felizes.
          Livre mesmo! Para fazer o que quiser, sem pensar nas consequências para com os outros, não considero uma coisa boa. Porque ser livre e sozinho (a) de nada serve. Entendo que somente em pensamentos somos livres de verdade, feito os pássaros nos seus mais altos voos...
          E mesmo assim, nem todo pensamento é livre, porque muitos deles não podemos falar, nem escrever ou manifestá-los sem ter que responder pelas suas interpretações sociais. Bem como, ser escrito e publicado...

***
Maria de Fátima Alves de Carvalho / Poetisa da Caatinga
Natal, 28.09.2012
 Foto de minha autoria
Texto publicado no meu 5º livro "Palavras de Luz..."
Maria de Fátima Alves de Carvalho
Enviado por Maria de Fátima Alves de Carvalho em 28/09/2012
Reeditado em 08/06/2020
Código do texto: T3906389
Classificação de conteúdo: seguro
Copyright © 2012. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.