VELA AO VENTO

Era apenas uma tarde de domingo

O silêncio ensurdecia

Mas a ausência nao era de pessoas

Embora as ruas estivessem desertas

O mar revolto traçava caminhos

Na areia imensidão de passos

Rumo a um horizonte tangível

mas inalcansável para mim

Como ilha rodeavam-me lembranças

Da vida que sonhei em sonhos

Sem porto, sem âncora

E como dói a solidão

Como uma vela ao vento

Assusta-me o tremor das ondas

Quando a chuva chega mansinho

Queria amanhecer aquecida

O mar é uma selva bruta

As feras rugem e atacam

Ainda sou uma criança

Não sei onde me agarrar

Já não há gritos, apenas sussurros

Rasgaram minhas vestes

Saquearam minha casa

E meu coração insiste em bater

O ato continua,

Abrem-se as cortinas

Confesso, agrada-me o júbilo

Da platéia que aplaude de pé

Como nau solitária

Pressinto a calmaria

Tento vislumbrar ao longe

Uma ilha, resquício de Esperança...

Sandra Vilela (Eternellement)
Enviado por Sandra Vilela (Eternellement) em 24/06/2013
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