Os Fins Entre os Meios



Ela pensava…
O destino deve fluir naturalmente como o desabrochar de uma flor. Deixando que o sol, a terra e a água, a façam florescer, sem que ninguém se intrometa.
E assim, envolta em suas próprias crenças, correu até o rio, corriam suas águas, reluziam vida.

E do rio, o seu riacho pequenino, correu até a planície, plana a perder de vista, calma e quieta, sem segredos, tudo à mostra, tudo ao colorido das pequeninas urzes, pingos coloridos no relvado, enquanto árvores, aqui e ali raleadas, bailam de encontro ao vento.

E da planície às montanhas e lá do alto viu tudo que havia para ver. E entendeu afinal, que o destino lá em baixo parecia encoberto, limitado. Agora já tinha asas, dava para alçar vôo, não queria mais correr, e teria mais cuidado nas penas que deixaria para trás…

É preciso prestar atenção nos traços, aparentemente inofensivos, que ficam para trás e que podem se transformar em agentes destruidores. O segredo da precisão de uma flecha é ditado pela pena. Uma boa flecha tem que ter pena forte. Assim um dia, um pássaro poderá ser abatido pela flecha, feita e aperfeiçoada com sua própria pena. Ó falcão, nem podias imaginar…

Mas aquela ave está ligada ao vínculo do tempo e com a harmonia e desarmonia do universo. Esta última piora as situações, destrói a vida, a partir dos resíduos displicentemente deixados na passagem, na caminhada.

E ao vê tudo lá do alto, em nome de tudo que é bom, forte e lindo ela evocou a supremacia do seu amor, porque o bem nunca será vencido, e seu grande bem mas suas (dela) mãos contava a certeza da vitória, pela certeza do seu amor maior, o seu para o dele, na sua inocência de ser amado sem culpa de  ser o seu melhor.

Assim ela tirou forças de suas experiências, transformando tudo em maravilhas em suas vidas, onde a alma (eterna) se expande abrançando cada momento e tudo que nele acontece. Assim a imagem do seu amado, sua voz e a plenitude de seu ser está em todos os lugares.

Nele e através dele, o seu amor, ela vê o rendilhado da luz do sol, acima da clareira das matas, atravessando as folhas numa cobertura de estrelado e singular clarão. Raios difusos teimosos, a procura de espaço para encontrarem o chão, descem até as folhas acastanhadas em transformação, formando o humus da renovação da micro fauna e flora, que na verdade, naquela grandeza é tudo macro.

Não é tarde amor, ela pensa. Podes deitar no meu coração. Podes levantar e sair, e entrar e viver sem obrigações, apenas se deixar ser amado. Não há penas neste lugar, nem flechas voadoras a ameaçar. Estás protegido nos meus sonhos e devaneios, de fé, saúde e paz…

Ibernise
Barcelos (Portugal), 01OUT2013
Ibernise
Enviado por Ibernise em 01/10/2013
Reeditado em 01/10/2013
Código do texto: T4506402
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