...(EC)

Tem um quê de solidão que me apavora. Quando a porta bate. Quando o sol se põe. Quando sempre é madrugada.
Há um dia que atravessa a minha espinha. Que corta e esfacela, que incomoda, amortece. Pede para sair do inerte.
Há um som de multidão atrás do abismo. Que ecoa fraco o quase findo lamento.

 
Há sempre um completo esmorecer. Na apavorante calada da noite. Na esquina escura. na encruzilhada. No labirinto.
Tem palavra que lateja o pensamento. Tem pensar que infere palavras. Letras que fazem questão de olvidar.

 
Tem um rol de razões, nuances alheios ao azul. Espasmos que apertam. Desabraços. Lacunas. Versos ocos. Céus vazios.
Há um não traduzir. Não decifrar. Pra não se sentir.
Tem sangue escorrendo, lavando o rio que se atravessa. Há o inerte do corpo que resta. Marcas que assustam. Há tanta dor. Sentida ou não.

 
Há sal e há frio.
Há sem razões. E infinitas questões.
Sem respostas. Cem respostas. Indagações.
Tem um Amazonas inteiro de tristeza em mim.
 
Desculpa aí.
 
 
 

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Este texto faz parte do Exercício Criativo - Desculpa Aí
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Roseane Namastê
Enviado por Roseane Namastê em 28/10/2013
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