tarde

não sei por que não sei dizer de sentimentos

com a cara limpa das palavras

sem as máscaras das metáforas

as vezes busco-me no interior

para encontrar o que provoca

a apreensão da clareza coloquial

e quando vou fundo percebo porque

não a utilizo; vejo-me entregando

sentimentos em atos;

é como se somente palavras

não bastassem

para a veracidade do meu sentir...

e isso também me faz tremer, amedrontada,

com outra percepção;

habita-me, também, sentimentos

irracionais – aprisionados, mas

indomesticáveis - camuflados num recôndito

escuro aguardando o momento

exato para vir à luz...

e retorno correndo pro meu lado

racional, ignorando a fera que dorme

do outro lado...

e lendo o que foi escrito acima,

percebo que está (ainda) carregado de metáforas...

e pensar que iniciei a introspecção

no momento em que queria escrever, sem tapumes,

que a tarde chegou trazendo lembranças de outras tardes

quando experimentava palavras

para dizer que te amava

MarySSantos
Enviado por MarySSantos em 18/02/2014
Código do texto: T4696341
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