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= Prosa (pra lá de) Poética =

Finalmente choveu por uns três dias seguidos
após longa estiagem no sertão
É noite, sentado à porta, o matuto perscruta a escuridão
Olhos perdidos no céu, encanta-lhe a lua na imensidão
O cheiro de terra molhada é perfume divino, benção
Finalmente pela manhã bem cedinho iniciará a plantação
Fazendo a semeadura dos grãos no roçado preparado de antemão
Lá de dentro, uma voz dengosa o chama: - Vem drumi, Bastião!
- Já vo mozão! É só o tempo dieu pitá meu picadão!
Bastião dá mais umas baforadas, uma zoiada na lua e esfrega as mãos
Levanta, espreguiça, entra, vai ao pote e bebe da água fresca um copão
Sorri, sabe que na cama o espera Rosinha, de camisolinha, um mulherão
E pensa alto o Bastião: - Cum esse friozinho  qui chegou cas chuvas,
drumi de conchinha num é ruim não.
E confirma Rosinha, com cara de safadinha: Ieu achu é muitcho bão.

p.s. Picadão* é o nome que dão, em algumas regiões,
ao cigarro de palha,  feito com fumo de corda.

= Roberto Coradini {bp} =
22//09//2014
BETO bp
Enviado por BETO bp em 22/09/2014
Reeditado em 22/09/2014
Código do texto: T4971549
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre o autor
BETO bp
Jundiaí - São Paulo - Brasil
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