ANOTAÇÃO PARA O DIÁRIO (5)

  Não sei o que será de ti, riozinho, durante este outono e ainda no inverno que virá - tal foi a mesquinhez de águas do céu no verão passado.
  ...Se ainda corres - bem se nota - é por tu seres  valoroso e não te entregares facilmente; é porque esta tua força com certeza vem de entranhas mais profundas, muito mais profundas, as quais em tantas épocas soubeste alimentá-las. Então vives, por isso: porque tens sido heróico, apesar de todos os maltratos que todos temos te infligido (pois, ora!, eu também estou entre os maldosos, neste desconcerto geral, viciador, tão impregnado nos homens!...) 
  ...Vê? digo-te que vives, e não que sobrevives, eis não querer (eu!), não poder (eu!) aceitar que este teu curso esquálido (sordidez para a qual muito tenho contribuído, afinal pertenço a essa mesma raça insubordinada) seja retrato de um doente terminal, como já, muitas vezes, olhando da ponte, imaginei-te nos estertores. 

  (...) 
   ...Não sei, riozinho, não sei... 
   ...No entanto, vamos esperar, nós dois, que as águas ainda não nos faltem.


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Mai, 22, 2015