Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

A VIDA FALA DE OUTROS AMORES...

Hoje, a tristeza, a saudade e o silêncio preenchem o vazio que tua ausência deixou, em minha vida...
Busco no sono a fuga para a dor que me aguilhoa as entranhas da alma, eterniza os segundos de uma vida sem razão de ser...
Que fazer com a sensação de morte que me causa tua ausência? Fiquei como a ave que perdeu o rumo e já não consegue voltar para o ninho; como a flor que perdeu o perfume e quedou, desolada; como a onda que foi absorvida pelas areias e lamenta  sua dor por não poder retornar ao embalo do mar, sentindo - se evaporar ao Sol inclemente; como a árvore que viu o fogo se aproximando, indefesa, e sentiu - o ir queimando cada fibra do seu ser, vivo e verde, onde a seiva corria livremente...
Não saberei viver sem tua presença...
Nunca mais noites encantadas com o luar entrando pela janela, as estrelas luzindo e tua voz sussurrando carinhos, tuas mãos deslizando em minha pele arrepiada e febril, ansiando mais intensidade para poder sentir - te fazendo parte de mim...
Nunca mais amanheceres dourados pelo Sol, o despertar letárgico do corpo lânguido e satisfeito, após uma noite de amor ardente... Nunca mais ver o olhar amoroso e cheio de  ternura, que me fitava, enquanto eu dormia, e ouvir tua voz voz dizendo - me: "Bom dia, meu amor, eu te amo!", seguido de um longo e apaixonado beijo...
Sinto - me sucumbindo a cada instante, incapaz de lutar contra a apatia que me domina, isolando - me da vida, do mundo, deixando a solidão tecer ao meu redor, um casulo do qual não me importa sair, nunca mais...
Meus olhos não se cansam de chorar, são como a fonte que jorra do alto de uma montanha, as lágrimas caindo em cascata e formando um rio no meu coração que transborda, mas não conforta...
A vida fala de outros amores, novos recomeços, mudanças interiores...
Ah, palavras bonitas de quem nunca amou realmente... de quem nunca sentiu a dor da saudade latejante em cada célula, em cada respirar, a alegria de sonhar com a presença do amado e a tristeza de acordar num leito solitário, frio como um esquife, sentindo - se amortalhada pelo pesado chumbo do silêncio, como se estivesse perdida no mais profundo e misterioso buraco negro do cosmo...
Viverei... Na mais profunda dor, mas viverei, e porque ainda não perdi a capacidade de sonhar, deixarei que os sonhos de tua volta pautem meus dias; serão a coluna a apoiar a minha vida até que chegue o momento final, o momento da libertação...
 
Arianne Evans
Enviado por Arianne Evans em 12/11/2015
Código do texto: T5446749
Classificação de conteúdo: seguro

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original. Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre a autora
Arianne Evans
Curitiba - Paraná - Brasil, 69 anos
719 textos (59936 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 22/07/19 18:22)
Arianne Evans