*SUSPENSO POR UM FIO

Suspenso por um fio transparente pendendo, entre o amor e o ódio, querendo a chave de si próprio.

O pensamento estava abarrotado de quereres e pensares em explosão contínua. Queria ficar com aquele amor imaginário, real, quase irreal por conta do poder de sedução do outro. O destino, porém, tem suas teias de aranha, atraiu-me de forma inesperada. Nada seguro. Dúvidas e incertezas rondavam a atmosfera.

Durou menos de uma estação primaveril, sem flores, caindo cada pétala, dando início a nova florada. Rumou para outra estação com terreno adubado, estrutura promissora para até que a morte os separe.
A desilusão arrastou ódio contra amor, dois amigos conflitantes, transparentes e inseparáveis, se digladiando na mente irrequieta e confusa.
Tal qual um relâmpago, empresta claridade, solta imenso grito aquece a terra ressequida, umedece a telha protetora e volta tranquilo pela missão cumprida.

Sofie saiu. Caminhava na praia, ao morrer do sol, com olhar fixo admirando a beleza do colorido vermelho pálido e amarelo alaranjado. À noite se aproximava por conta do compromisso coma a natureza. Olhou para o dia e disse:
Vai claridade das angústias e desilusões, dos dias turbulentos, do sangue no asfalto, das crianças sem nome, dos portões com grade, da liberdade dos maléficos.

Engana-se, minha amiga invisível, que aparece na minha ausência. Os gritos ecoam na calada da noite, fingido silêncio, deturpando a moralidade na penumbra da cortina. Somos irmãos gêmeos univitelinos, com o mesmo sangue correndo nas veias, permitindo as mesmas ações, com livre arbítrio. Salvem-se quem puder.

Sofie andou a ermo, caiu na areia, o sono deitou no corpo e mente fatigada. Um vulto alto, belo, sorriso largo, pegou sua mão. Caminharam em silêncio, na escuridão total. Apenas as pernas obedeciam ao comando da mente.
Andaram muito tempo e o silêncio era benéfico para a situação.
Caíram num vazio. Pontos brilhantes enfeitavam o piso parecendo estrelas no firmamento.

Pegue um.
Eu pegar em algo desconhecido? Saí agora de um estranho inesperado, que me deixou suspensa entre o amor e o ódio. Estou pendurada num fio a ponto de cair.
Ninguém encontra fácil. Tentamos até dar certo.
Então é lutar com a sorte?
Mais ou menos. Entra nesta procura, inteligência, perspicácia, tolerância, criatividade, e sorte, por que não?

E sexo?
O maior dos corruptos, envolve, simula, encanta e foge, sem aviso prévio.
Mas uns são tão felizes, na medida certa, sem nada fazer. Outros a infelicidade gruda como tatuagem.
Se analisarmos com detalhes nossos atos, somos metade culpados.

Procure sua chave.
Ei, não vá, me ajude a procurar.
Você é a dona de suas ações. Encontre-a.
Ficou a ermo, sem luz, sem a mão que fortifica, sem rumo, sem prumo.
Sentiu alguém lamber seu rosto, abriu os olhos. Meu amigo Half! Ah! Nem você é confiável, já me mordeu três vezes. Mas dos piores é o melhor amigo.
Sofie observou o dia. Mais um dia. É esta a chave, mais um dia de vida, e em cada amanhecer o maior e melhor de todos, com aprendizado inteligência, perspicácia, tolerância, criatividade, e sorte, por que não?

No livro: Sifie, Um Amor Criminoso
Sonia Nogueira
Enviado por Sonia Nogueira em 22/03/2018
Reeditado em 24/03/2018
Código do texto: T6287587
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