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“ Este texto compõe o projeto Nossa Árvore; venha conhecer
 
TIRADENTES (Delata-me)
Carne fresca, ensanguentada,
traída por Silvério, esquartejada,
pelos postes da cidade, pendurada
 
Qual de mim delatarás, meu bem,
Tiradentes, mártir da Inconfidência
ou Joaquim José da Silva Xavier
bode expiatório dos inconfidentes?
 
Sequestrei todo amor livre e puro  
que circulava feliz, à toa pela vida,
para que só eu te amasse, em vão
 
Vai, delata-me pelo suposto mal que
fiz 
ao amor, eu e tantos, e serei o
bode expiatório. 
Delata-me pelo meu
amor 
perdido em ti e serei o mártir.
 
Todo texto do projeto Nossa Árvore é para algum descendente meu, vivo ou por nascer!
 
    Marcito, meu “hexaneto”, você já está aí no século 25 e vou falar contigo de coisas do século 18!  Mas será rápido, é um papo educativo, embora creio que o feriado de 21 de abril continua vigorando no seu tempo; é um fato do Brasil-colônia ilustrativo da maldade humana.
   A Inconfidência Mineira foi um movimento de mineradores, fazendeiros, padres, poetas, dentre outros, dispostos a enfrentar os desmandos e arbitrariedades da Coroa portuguesa, incluindo os altos impostos cobrados. Desejavam, em última análise, suscitar uma revolução contra os portugueses. Tiradentes, Joaquim José da Silva Xavier, trabalhou na mineração, trabalhou para o governo em reconhecimento de terrenos, foi um dentista prático de bom conceito, alistou-se tendo tido boa atuação, capacidade de liderança, mas era um alferes sem chance de subir na carreira militar. Optou por se juntar aos Inconfidentes porque comungava com os mesmos propósitos; era um republicano.
   No entanto, foram traídos por Joaquim Silvério dos Reis (e mais dois),  em troca de perdão de suas dívidas com o governo. Alguns inconfidentes foram condenados à morte, mas D. Maria I alterou as sentenças para degredo, com exceção de Tiradentes, o inconfidente de posição social mais baixa, ou seja, Marcito, sobrou pra ele, como se diz aqui, bode expiatório.
   Ah, iniciei falando da maldade humana. Sim, Marcito, não se contentaram em enforcar Tiradentes. Sua cabeça foi decapitada, seu corpo esquartejado e as partes expostas em praça pública. Coisa de bárbaros mesmo, não basta matar, tem também que matar o corpo morto... é assim que nós somos, Marcito,
 temos uma inteligência brilhante que muda a cara do mundo a cada instante, mas caminhamos no gelo na diferenciação dos instintos animais... desde lá de trás até agora.

    É isso, querido “hexaneto”, que o seu tempo já tenha superado o primitivismo. Um beijo....
Cláudio Bertini
Enviado por Cláudio Bertini em 20/04/2018
Reeditado em 15/06/2018
Código do texto: T6313706
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Cláudio Bertini
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 71 anos
15 textos (989 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 23/10/18 20:09)
Cláudio Bertini

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