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Razão do meu viver

No canto esquero da mesa, uma garrafa de vinho branco pela metade. No outro canto, a direita, um prato enorme de brigadeiro, também pela metade.
Na tela do computador, fotos de um relacionamento que poderia ter acontecido e não foi. Lembranças de um período curto, porém feliz entre duas pessoas.
Do lado do mouse o celular que insiste em não tocar.
No rádio, o CD da Sade tocando.
As lágrimas começam a cair. A saudade é inevitável. A dor é insuportável. O amor que não existe mais, insiste em viver dentro de si.
Liga a TV e está passando o filme Diário de Bridget Jones.
Que droga!!!!
Olha pra cima, vê uma foto pendurada na parede, uma perdida entre outras tantas em seu painel, uma pequena foto em que esta com seu pai. Ela ainda pequena, no colo de seu pai, com sorrisos estampados e contagiantes. Ela, então, se dá conta que a vida não acabou; mesmo tudo indicando que já.
Levanta, enxuga as lágrimas, joga água no rosto. Acaba com a garrafa de vinho. Devolve o prato de brigadeiro para a geladeira, pega o celular, bolsa e chaves do carro.
Um lindo dia de sol, pessoas nas ruas, conversando, paquerando. Pára em um bar conversa rápido com algumas amigas e volta para seu carro, para um caminho ainda não certo.
Pára no farol. A lembrança da foto volta a sua mente e se emociona. Assim que pode acelera seu carro e vira na próxima rua a direita. Sem percorrer muito, estaciona o carro, pega algumas informações com algumas pessoas, entra. Á sua frente um enorme jardim, com grama extremamente bem aparada, pássaros cantando nas árvores. Andando por mais alguns metros, encontrou o seu destino. Ajoelhou-se e começou a chorar.
Olhou para aquela lápide e conversou com ela:
"Pai, não sei se está me escutando, mas acho que te decepcionei. Desculpa! Chorei por causa de um término de namoro. Lembra daquela foto que tiramos quando você me levou a um parque de diversão no interior? Pois então, foi ela quem me fez lembrar que o verdadeiro homem da minha vida é você. E que esse homem, me ensinou que nada é pra sempre, somente o amor que temos um pelo outro. Mais uma vez, pai, é você quem me dá forças. Obrigada por ser meu pai e me iluminar sempre. Te amo!"
Voltou para seu carro, com lágrimas escorrendo pelas faces. Se recompôs, pegou seu celular na bolsa e discou:
"Oi, sou eu. Calma, não liguei para escândalos ou pedir para voltar. Só estou te ligando para avisar que a última caixa com as suas coisas, estarão amanhã na portaria do meu prédio e para devolver o meu DVD do Chico. Queria te dizer também que deletei o seu celular da minha agenda e você da minha vida; afinal, você nunca foi e nunca será o homem da minha vida. Você não é a razão do meu viver. Tolo se um dia acreditou nisso. Adeus!"
karem p de camargo
Enviado por karem p de camargo em 02/09/2007
Reeditado em 24/09/2009
Código do texto: T635619

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Sobre a autora
karem p de camargo
Santo André - São Paulo - Brasil, 39 anos
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(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 15/12/17 02:54)
karem p de camargo