IRONIA DO DESTINO

Um dia passando pela feirinha

Vi um garotinho desajeitado

Porém deveras danado

Pedindo frutas, arroz e farinha.

Algumas bancas negavam

Outras com pena ficavam

E ele de tão mal criado

Comia as frutas que fora jogavam.

Então pensei: que menino arteiro!

Aprontando o tempo inteiro.

Merece um castigo certeiro.

De moto por ele passei

E lama sobre ele joguei.

Ri tanto da cara do moleque

E falei: bem feito "filha da peste"

Lição nele eu dei.

Passado por alguns dias

Sentado no banco da praça

Lá vem o menino sem graça

Pedindo satisfação.

Peguei meu cinto da calça

E quando a mão eu erguia

A mãe dele aparecia

E me disse: José, meu bem!

Não bata nele

Você é o pai dele

Esse menino sempre me pergunta por ele.

Sentei, chorei e vi que a culpa era minha.

Luciênio Lindoso
Enviado por Luciênio Lindoso em 26/08/2018
Reeditado em 26/08/2018
Código do texto: T6430155
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