Vias de emoções (pós festa)

Pelas bordas das taças sem brindes, marcas de batom no final das festas.Tanta solidão tem, nas luzes amareladas de cada poste nas ruas vazias. Enfileiradas como que em oração, vigiam, desnudam.

Vistas de longe, são pontos na escuridão. A noite, sentada na porta da madrugada, se prepara para refugiar nos campos impostos pelo tempo, visto que o sol já vem esticando os braços no nascente.

As últimas pessoas levantam-se das cadeiras e seguem vagarosamente pelas vias de acesso de suas casas e de suas emoções. Há tantas perguntas sem respostas! Tantas moradias de cada um, no meio e no fim dos festejos. Às vezes acampam no chão da solitude, cobrindo-se apenas de réstias de estrelas se apagando. É que as ilusões da vida são as formas de diversões. Lapidadas então, se lascam às vezes em decepções.

O viver é fragmentado em três partes: Nos primórdios das intenções, no cômodo dos acontecimentos e depois na calmaria ou revolução dos desfechos. Tudo é obra, ao mesmo tempo que se é demolição. Vão-se os amores; As saudades chegam. Fecham-se as portas; O mundo é sonho dentro dos quartos, mas é vasto e real do lado de fora. Explorá-lo, requer destrancar-se e recarregar-se de coragem.

Desponta a manhã na cama ainda arrumada. Melhor fechar a cortina para o espetáculo da aurora e ir debruçar em sonhos afundados na ressaca.

Takinho
Enviado por Takinho em 08/03/2019
Reeditado em 18/08/2020
Código do texto: T6592936
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