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Fim de Noivado

     Amélia:

     Quase 24 horas depois que te dei o meu beijo de despedida, ontem à noite, que selou o fim do nosso noivado, resolvi te fazer esta cartinha.
     Não poderia ver esse noivado acabar assim, tão friamente, sem externar toda a emoção que me domina neste momento. Foi tão bom, querida, esse tempo, mas agora está tudo acabado.
     Quantas lembranças!... Lembro-me do nosso primeiro encontro...
     Você, minha colega de serviço, numa mesa lá no fundo da seção, sempre concentrada na sua tela de computador, e sempre sorrindo timidamente quando eu passava e convidava:
     - E aí, minha bela, que tal um jantarzinho hoje à noite?
     Até que um dia, para minha surpresa, você perguntou:
     - Esse convite é pra valer?
     Tomei um susto, mas me recobrei logo:
     - Claro, minha bela, topa?
     - Espere-me na saída, depois do expediente.
     E naquela noite descobrimos tantas coisas que tínhamos em comum! Descobrimos também que tínhamos perdido um tempo desnecessariamente longo separados um do outro. Ali, distantes apenas por umas mesas, passamos meses sem perceber que o amor morava ao lado.
     A nossa primeira noite de amor, quanto prazer, quanta ternura!... Como poderei esquecer?
     Namoramos por mais de dois anos e depois ficamos noivos, e vieram os preparativos para o casamento, a escolha dos móveis e do apartamento. Quantos sonhos! Até escolhemos os nomes dos filhos que teríamos! Ah, querida, nunca mais hei de esquecer esse tempo!...
     Mas agora tudo isso já é passado...
     Até das nossas briguinhas eu tenho saudades... Você, cabeça quente, me beliscando furiosa, por causa das minhas cúpidas olhadelas nas gostosas circulando pelas ruas, ou me espetando o olhar duro, inquisidor, quando eu espiava os decotes de suas colegas... Briguinhas por causa da minha paixão pelo Vasco da Gama que me ocupava as tardes de domingo...Briguinhas por causa das minhas cervejadas com os colegas...Briguinhas que às vezes te custavam algumas lágrimas, mas que sempre se acabavam entre beijos e abraços no portão da sua casa ou embaixo das cobertas...

     Mas foi-se o noivado, tudo isso agora é passado...

     Pois desde que saímos da igreja hoje, às 9 horas da manhã, já somos marido e mulher...
     Não somos mais noivos, mas eu a convido para voltar a ser a minha namorada fixa, até que a morte nos separe...
     E aí, minha bela, topa?


 Lucas
Antonio Maria S Cabral
Enviado por Antonio Maria S Cabral em 23/09/2007
Reeditado em 28/04/2009
Código do texto: T665388
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Antonio Maria S Cabral
São Luís - Maranhão - Brasil
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Antonio Maria S Cabral