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PESO MORTO

Não acredite em dualismo conivente, não conspire sem causa, não exercite o fascismo, nunca dê a outra face. Embora ainda não saibas, inteligência ordenada demais é arma covarde, subterfúgio de ignorantes, conciliábulo de dementes. Teu sonho, ainda que casulo em tua memória, a ninguém apetece realizar, e assim tuas idéias planarão indefinidamente no óbvio da lógica humana. A tí pertencem apenas tuas perversões, delas é senhor absoluto. Afinal, de que vale o tudo desprovido de prazer? O repleto, pleno, retratos e cheiros guardados na mais fria e secreta clausura? Mais vale que desabroche o nada, em estado de nada, mas com conteúdo suficiente para chocar todas as crenças. Tuas reminiscências púberes, teus segredos, o auto-orgasmo na primícia da descoberta, nunca mais atos tão licenciosos. Até hoje lutas para manter a aparência de pessoa que jamais conheceu o temor, e que das agruras da vida sempre foi poupada. Que teve a existência pairando na serenidade, cujo corpo doença nehuma pôde macular. Que questiona o céu enquanto um této vil acima de um planeta igualmente fútil, que pleiteia galardão pela virtude de tuas obras. Que espera ser arrebatado desse  vilarejo simplório, povoado por nativos que cultuam um deus de papel com valor oscilante. Estás perdido no mundo e teus passos percorrem agora caminhos dúbios, bifurcados por ruas fétidas e agourentas, onde escorregas em vômito alheio e respiras o horror das fezes e da carne pútrida. Cuidado ao identificar fundamentos para o teu sofrimento, não faça como muitos religiosos inconsciêntes. A causa dos teus dissabores nasce e reside aquí, no agora, no ponteiro do tempo que nunca pára e nada espera. Não aceite como penitência fardos desleais, duvidosos, passados. Não sejamos tão radicais quanto ridículos, nem tão céticos quanto incrédulos. O verdadeiro amor não é transitório, a fé não é pérfida nem ambígua. O exercício do altruísmo cura o fél da alma e deve ser propagado.  Faz-se necessário o teu descortinamento voluntário, despido da pedância, do orgulho, da altivêz. Então poderás enxergar um horizonte mais aprazível, nivelado, sem tantas oscilações verticais.
Paulo Osorio
Enviado por Paulo Osorio em 25/09/2007
Reeditado em 27/09/2007
Código do texto: T668023

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Sobre o autor
Paulo Osorio
Campinas - São Paulo - Brasil
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Paulo Osorio