Pequeno Espetáculo

Então, uma criança má

Torna-se em um adulto horrível,

O que ao público não agrada,

Não há aquele teor tragicômico

Não há aquela razão conciliante,

Nada aqui que alavanque o espetáculo,

Nada

Assim, seria melhor evitar o rosto

E aquela insignificância,

A falta de motivos vestidos,

Ou, em realidade, a pior parte,

A carne naturalmente imperfeita

E a sonoridade dalgo todo obtuso,

Porém, em imo, nada

Contudo, o estômago latejante

E a língua feral e estragada

Revelam a virtude única daquilo,

A alma suína guardada em pútrida carcaça,

Abençoada com dádiva sarcofágica,

Corpulência rosada e quartejada

E um sublime nada

Mas algo faria crer, dado o instante,

Que o miasma que vaga na vanguarda

Da estátua materializada em nada,

Deformando a tudo por onde passa,

Olhos e narizes convulsos e tortos,

Mas sem se saber o porquê,

Que o porquê disto é nada

A vulgaridade está exposta

Nas pústulas do passeio público,

Autógena e vulgívaga marafona,

A fisionomia possuída pela fertilidade,

A convalescênça personificada

Desvelado e aflorado tudo o que possui

A quem queira ver o nada

H Reis
Enviado por H Reis em 20/01/2020
Código do texto: T6846363
Classificação de conteúdo: seguro