Nos contrários do viver

Pelas cordas vocais de orvalhos, poemas se recitam nas folhas dos quintais. A manhã é fria e tal qual artesã insatisfeita, desfia as brumas pouco a pouco. As janelas se espiam tímidas ao se abrirem lentamente. Como que em partos bem sucedidos, pessoas nascem de suas casas e adentram no berçário do novo dia. O tempo embrulha momentos vividos, engatando-os nas locomotivas das saudades.

E a esperança é um vagão cheio, alisando trilhos, inventando viagens.

Pelos varais da vida, as ilusões, tais quais peças íntimas estendidas e pregadas, tomadas pelas mãos do vento, acenam para o nada.

Vida é urgência, mas exige cautelas.

O amontoado de sentimentos que nos assolam em diversas ocasiões, é dado às experiências que vivenciamos. Alegria e tristeza, sempre ocupam o mesmo salão na dança das escolhas.

Os amores são acontecimentos esperando épocas de serem.

Os ódios talvez sejam por amores.

Há tantos modos de criar relatividades e interpretações para as coisas, que nos perdemos nas discordâncias.

Mas a vida segue desabrochando dias e noites, para a jardinagem de cada um cultivar seus canteiros, nas mais diversas formas de adubar com caridade e amor, solidariedade e carinho, ou então envenenar toda seiva vital, com egoísmo, ganância e covardia.

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Takinho
Enviado por Takinho em 26/05/2020
Reeditado em 18/08/2020
Código do texto: T6959262
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