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Conversa solitária

Vagueio, pois meus passos cessam quietude e aceitação a estarem presos num inquebrável ponto de repouso. Clandestino, celebrando o espaço percorrido em ciclos e círculos, fotografando os espirais de cada rotina desgastada, dia sucateado, ponte queimada e obstáculo tropeçado pela distância de incerta medida.

Do contentamento a desbravar próprios conhecimentos, capturar percepção como um traço evolutivo das feridas causadas por óbvias armadilhas. Da questão que paira sem a cognição necessária para sussurrar respostas às soluções milagrosas, para vislumbrar que a turbulência se acalma nas horas em que sua mente consagra equilíbrio em serenos sonos merecidos.

Eu sei que mesmo assim, você ainda não se sente bem.

Porque saber, obter estudo e desvendar seu universo fora o talento adotado em mapear a rota das suas estrelas, registrar suas catástrofes e fazer de tudo isso uma ciência que ultrapassa os termos do lógico. Fixo na fixação de não ser apto a aprender algo que não envolva as sutis nuances do seu comportamento, as medidas para trazer o conforto de volta, as instruções que me ensinam a ser alguém definido nos modos de ser seu complemento.

Desta situação, clamo tons de esquecimento como tentativas de falhas sucessivas.

Lembrar involuntariamente nas diferentes circunstâncias em que me encontro agindo como se meu controle fosse de minha exclusiva propriedade. Sem ironias, flagrando-me acreditando nas fábulas que uma mente eufórica cria como escapismos alcançando a piedade de qualquer efêmero alívio.

Não me desapegue da sua obediência, preenchendo-me propósito submisso a ser seu tolo.

Um mundo ainda imutável pelas mudanças que subliminarmente o distorceram de reconhecimento. Segunda, terça, quarta, quinta e sexta dispersas na topografia de uma terra desolada localizada nas proximidades de regiões nunca exploradas pelos limites que não possui coragem de cruzar.

E é assustador, alienígena e incoerente estar andando nas direções que não estimei antecipar.

A estranheza é familiar nas novas condições. Do prometido e jamais cumprido, jaz minha confiança admitida como uma ideia excedida nas modernidades do tempo o qual pouso inerte.

O crepúsculo desvanece rastros da noite transtornada, mitigando as preocupações com seu próprio silêncio voluntário.
Daniel Yukon
Enviado por Daniel Yukon em 29/06/2020
Código do texto: T6990982
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Sobre o autor
Daniel Yukon
Caruaru - Pernambuco - Brasil
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