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Carta à amiga

Carta à amiga

Amiga.... tenho me sentido só....mas uma solidão interna. Tenho entrado pra concha....mergulhado nas minhas dores.....

Venho me escondendo das dores do mundo. Me fechando em mim.
Sinto-me carente...mas tenho sido incapaz de ligar pras pessoas.... como se eu estivesse a um milhão de anos luz de cada um.....e tenho questionado algumas amizades....se são realmente de verdade....
Tive muitas perdas simbólicas de uma ano pra cá.... foi antes da Pandemia.... Foi a partir de ter quebrado o pé... descobri que dependo mais de mim do que de outrėm..... e  tenho trabalhado para que meu amor próprio não fique aquém.
A partir do pé, descobri que eu mesma me salvo. E que apesar desejar construir histórias de amizades....e sou capaz de só construir a minha história, na verdade. Amizades construímos esporadicamente com quem nos dá a mão momentaneamente... digo quem está disponível na hora...as mãos, afinal,  vão e vem... e nem sempre estou perto de alguém. Isso faz  parte

Estou bem. Extirpando a dor...que seja lá como for.... tem muita pra sarar.... E cada uma tem a sua...e Oxalá.....por que cada uma é importante.
Tenho estado constante  na minha busca....
Tenho curtido a minha própria companhia...
Tenho exorcizar o os maus pensamentos...
As lembranças de julgamentos que quando escuto , grudam em mim....e demora tempos pra sair...
...e tenho me afastado das amigas que me julgam..... ( que não  é o seu a Caso!)
Tenho me recolhido....por que afinal, este é um momento de recolhimento..... Esperando que o sol novamente seja pra todos....por que afinal de contas, sou a favor de gozos coletivos....

Eu também estou mal. Temo pelo futuro...e esse talvez seja o maior barulho: muitas vezes não me deixa dormir na hora certa....
Daí...tenho pintado de madrugada....viajado nas tintas...pra não viajar nas telas....e nas novelas das vidas alheias...
Ando lendo,escrevendo, estudando....brincando pouco, cuidando muito: cozinhando...fazendo o mercado....cuidando da divisão de tarefas..( mal e porcamente...)

Vou indo, como toda gente...devagar e sempre
E a divagar solenemente

#flaviavalencalimapoeta
Flavia Valença Lima
Enviado por Flavia Valença Lima em 02/07/2020
Reeditado em 02/07/2020
Código do texto: T6993974
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre a autora
Flavia Valença Lima
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 43 anos
445 textos (3420 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 09/08/20 07:42)
Flavia Valença Lima

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