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Caminhos de pedras

Os caminhos eram de pedras e eu era de viagens. Sempre me deixei encostado na beira de rios, para ver as corredeiras dos meus pensares. Pelas águas em canções diversas, lavando alma e deixando calma, eram de profundidades todas as minhas pescarias de ilusões.

E quando novamente me punha a caminhar, colecionava ventos e céus. Eram de sóis e luares colados num azul que escurecia quando o sol se deitava para ofertar luz do outro lado do horizonte. As manhãs sempre pestanejavam saudações e bocejavam poesias pelas obras divinas, todas acordadas em muita vida. Os galhos esticavam para sombras e de alguns pendiam frutas maduras.

Gostava de colher distâncias sem pressa de chegadas. Apanhava destinos na palma da mão, quando alcançava aldeias, vilarejos e cidades. Mas o que me fascinava era quando o cansaço me pedia um pedaço de chão para repousar. Deitava e era acolhido pelo sono, pelo tempo e espaço.

Todos os lugares do mundo são bonitos. Até mesmo os desertos. E todos são povoados. De alguma forma são. O que era preciso era povoar a mente com civilizações em exercícios de caridade e igualdade. Mas eu sempre passeava por guerras advindas de motivos banais. Enxergava a fome e sede, as mazelas e dores e as sentia. Vi que o mundo era um só lugar, subdividido pelas casas cheias ou em destroços de tantas humanidades com as mesmas capacidades e dependências, porém algumas cuidadas com muito zelo e amor, outras tantas, contrariamente descuidadas pela ganância, egoísmo, covardia e apatia.

O universo é mistério sem medo de ser desvendado completamente. Os humanos se mostram imperfeitos e às vezes incapazes ou preguiçosos de tentarem se aperfeiçoar.

Os caminhos eram de pedras e eu era de viagens.
Takinho
Enviado por Takinho em 13/01/2021
Reeditado em 13/01/2021
Código do texto: T7158672
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Takinho
Capela Nova - Minas Gerais - Brasil, 43 anos
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Takinho