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O beijo da morte II

Prostrado num leito hospitalar, enfermo, nauseabundo, descorado, consumido por uma moléstia agressiva, de aspecto purulento e fétido, encontrava-se um ser em salsugem. Alguém que outrora rico e poderoso; soberbo e inescrupuloso; mesquinho e asqueroso... mas, como o reverso do destino é implacável, o inóspito aconteceu. As quatro fases da lua ditaram sua má sorte, hoje minguante, num leito de morte. O óbito que tardara em não vir jazia vociferando sua maledicência em agônia e caquexia. A infecção queimavam em suas veias, pulsavam em suas escaras pungentes num ar carregado de enfermidade e desprezo.
E naquele lugar isolado e restrito, onde tudo tornara impossível e incerto,  a algia e a febre ditava a orquetra fúnebre que ritmavam em marcação sonora com as  gotejadas  dos soros e o compasso dos brancos aventais em parodóxo com véu negro da  dama da noite que sorrira anciosamente a espera do seu triunfante momento.
E após intermináveis horas em convalescência, lá estava um ser humano pérfido que acreditava no poder pecaminoso  da usúria e da maldade  e  que na materialidade da vida fora condenado na espiritualidade ínfima com o beijo da morte.





Russolini
Enviado por Russolini em 05/11/2007
Reeditado em 20/11/2007
Código do texto: T724406

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Sobre o autor
Russolini
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