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Pobre aldeão

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(interruptor ligado
pela ação do tempo)

Pronto. Cintilam as luzes do céu
No augusto bordel da periferia

Pela eloquência de muitas vozes
Os sons desregrados, amalgamados
Esgotam minha pouca paciência

A orquestra erra feio a sinfonia

Alucina o naipe dos tímpanos,
Desarranja a filarmônica todinha
A coxia? Vila Nova Cachoeirinha
O burgo? São Paulo – SP

— Toca O Quebra-Nozes, do Tchaikovsky
    O Quebra-Nozes, caspita!

Mas não, eles não atendem a pedidos
Jesus-Maria-José

Defenderei, pois sim, os meus ouvidos
Meu confrade... Soltaram um batidão
De corar a comadre Dercy Gonçalves
Tudo bem, foi só um carro que passou
Cruzou a rua gastando graves horríveis

Levanto ainda tonto de susto
Custa a alma grudar no corpo
Da manhã, só queria o gorjeio
Dos pássaros, esteio do canto

Impossível

O ruído ao redor tudo atormenta
Tenha dó, oras. Tudo arruína
Pane épica no sistema nervoso
Tela azul da morte do Windows

Chamem o técnico em informática
Chamem a força tática e o capelão
Uma junta multidisciplinar para ajudar
Na possessão demoníaca do pobre aldeão

Nada de cruzes, alho e água benta
Não é assim que se afugenta a entidade
Na verdade, ela só vai embora pagando bem
Quem tem boca vai a Roma. E dinheiro?

Exílio na lua em primeira classe?
Quero. Livro do Saramago na mochila,
Gudang Garam pra dar um trago,
Limão, sal e tequila.
Nos terráqueos, um afago. Fui.
Felix Ventura
Enviado por Felix Ventura em 10/06/2021
Reeditado em 10/06/2021
Código do texto: T7276103
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Felix Ventura
São Paulo - São Paulo - Brasil, 44 anos
155 textos (4843 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 12/06/21 20:33)
Felix Ventura