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Voo Rasteiro

                   


Observa o caricato caro Álvaro:
Eu que te admiro e te tenho como ídolo
Mudei de casa e de cidade
E descobri que a rua para onde vim morar
Tem o nome do teu homónimo.
Dei à coincidência uma importância comedida
E avistei da terra firme arborizada
Neste interior sem odor de maresia
As chaminés do navio em que à deriva me tornei
Desconhecendo quantas mais fronteiras
Serão a raia que vez alguma transporei.
Encontrei a velharia das familiaridades
No envergonhado pretérito do abandono
Empenho entusiasmado quando o tempo é de acção
Mas que o cansaço vai dobrando
À mediocridade da razão.
Achei-me burlesco
Ridículo porque nem sequer tenho usado o meu chapéu
Perdi as referências que não sei se alguma vez houve
Nos paralelos da calçada soam os ecos dos passos
Que no quarto alugado
Abafam a indiferença das horas mortas.


Moisés Salgado
alestedoparaiso
Enviado por alestedoparaiso em 15/11/2007
Código do texto: T738615

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