PÉ DE JACARANDÁ

Belo pé de jacarandá!

Imponente, forte, gigantesco, solitário no meio daquela campina.

Tempos de seca ele estava lá com sua sombra arredondada.

Tempos de chuva, lá estava ele protegendo os pássaros a encorujarem.

Belo pé de jacarandá!

Com seus exuberantes galhos lá nas alturas a balancear.

Galhos gigantes, frondosos, enrigecidos...

Seu tronco descomunal, estupendo feito uma rocha necessitava de três braçadas de três homens agigantados para abraçá-lo.

Com sua altura que chegava aos céus, ele era visto à distância pelos admiradores do lugar ou transeuntes que passavam por lá.

Suas raízes desfilavam nas na entranhas do solo em busca da boa água e o calor da terra profunda para sua vida continuar.

Assim era o belo pé de jacarandá!

Árvore frondosa, magnífica, exuberante, centralizadora do cenário daquela planície altaneira dos Sul das Gerais.

Pássaros pequenos e grandes se ajeitavam em suas ramagens.

Ao anoitecer, bandos de aves vinham até seus longos galhos para pernoitar.

Uma fortaleza centenária presente naquele lugar

Mamãe dizia: Vai levar o café da tarde para seu pai e seus irmãos lá na roça.

Leva lá no pé do jacarandá, o sol está quente e a sombra está lá.

Chegando lá eu gritava: papai, o café da tarde está aqui!

Papai e meus irmãos vinham rapidinho, tomavam água fresquinha e sentavam para saborear as quitandas e tomar o café com leite da chaleira de alumínio.

Eram várias rosquinhas, ou pedaços de pães caseiros, ou roscas caseiras, ou broas de pau a pique, ou bolo com cobertura de côco, ou pastéis feitos em casa, dependia do dia e das quitandas que mamãe tinha disponíveis.

Na frondosa sombra do Jacarandá eles comiam, tiravam um cochilo e voltavam a trabalhar.

E eu voltava leve para casa, saltitante, brincando pelos trilhos do gado com o companheiro Gaúcho e o Gibí, dois cães que ajudavam na lida.

Hoje senti saudade do pé de jacarandá!

Resolvi me expressar nessas singelas palavras para me consolar.

O o principal da história, ele ainda continua lá, mais lindo do que há meio século atrás

É isso aí

Acácio Nunes

Acácio Nunes
Enviado por Acácio Nunes em 16/12/2021
Código do texto: T7408761
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