Paladino

Ironicamente subscrevo tudo o que escrevi em uma ânsia de tudo escrever, em um dia tudo aquilo que pensei vim um dia a ser, isto. Como o algum se torna isso e a partir disso isto, yo no sé. Prescrevo o subscrito e regurgito um saber eterno, consumo o nada de tudo isto que chamo de arte e desapareço em uma ânsia de algo ser, mas persisto nesta ânsia, neste em que conceituo-me com base numa premissa dada, o eu. Ah estes versos que nada dizem e por não dizer dizem algo. Ah o saber em trinos e os trinos não mais em tercetos, quartetos que não é em cordas. Subestimo-me e desaponto-me no nada, há sempre de ser algo. Saboreio estes versos em que possuo-me e conscrito em saberes úteis e abstratos de formas e imagens sento-me nestas formas e desenho as retas encaixantes na curva do meu ciclo. E sinto-me desabando frente a toda busca, desapontando a hipotenusa da não desigualdade triangular. Ah como hei de esperar que entendam estes versos tão bem elaborados? Como presumirei eu que entendam? Entendes, oh homem, tua pequenez e se prostre diante da minha grandiosidade. Magnificente és por o ser, mas eu sou por na vãlidade ser, isto é, o vão vã que tem validade. Hospedei-me para apenas descansar. Devo apenas a mim mesmo e o que a mim não é circunscrito não tem preço e nem valor. Valoro apenas os valentes de sangue e alma, os que ressoam em tinos metálicos os trinados do meu ser; os degraus de um descaber ao eterno. Construo e dever-se-á conseguir, senão nada és. Desvirtuas do que a ti não pertence, o que te faz procrastinar. Foque homem na tua busca. Dever-se-ia não ser? Oh, abstenho-me desta verborragia vil, pois entenderás apenas a secante paralela a minha. E não intentas aquele que é, faz.

Oaj Oluap
Enviado por Oaj Oluap em 14/03/2022
Reeditado em 18/03/2022
Código do texto: T7472513
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