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PROVÉRBIOS MINEIROS XV - J B PEREIRA – 08/01/2018.


“Ele está perando
Você acha o trem.
O negócio é sério.”
 
“Manda quem pode
Obedece quem juízo tem.”

“Caiu um trem
no meu olho.”

A vida valeu
a pena, galego.
Deus te abençoano.

Negro na fazenda dizia para o outro:
“- Não me olha de frente, que sou gente.
Não me olha de lado, não sou melado.
Não me olha de banda, não te dou quitanda.
Não me olha de alto, mulato,
Não me olha de trás, pois sou capaz.
Não me olha no queixo, não tirei o queijo.”
“Não caçoa de mim, que não te devo nada.”
Ele é nervoso, vive raivoso, furibundo.
Ele está mordido de raiva, olha o beição dele.

Nossa Senhora do Parto te dê boa hora.
Todo mundo tem sua hora.
Alguns morrem fora da hora.
Ela morreu tão nova, parece anjinho.

Outros nascem depois da hora.
Não queria nascer não!

Ladrão não tem hora para chegar.
Cuidado, alguns já tá lá a esperar.

Confia desconfiando, cumadre.
O diabo é feio e avarento.
Faz intriga e trai todo momento.
Cruz Credo!
Faça sempre o sinal da Cruz.

Mineiro não perde a hora.
Por isso, chega na estação
Meia hora d’antes.

Vive a ermo por aí:
Degredado filho de Eva,
Sofre a flor da pele, coitado.

 Na gamela tem quitanda
No emborná, rosca e doces
Na garoupa da mula,
Modo de cozinha
linguiça boa,
goiabada cascão,
queijo - um primor,
para família do interior,
saborear quando chegar
lá em casa.

Doença braba e marvada,
parece triste calvário:
prende filho de Deus
entre tramelas e cômodos,
em dias sombrios e contados
que nem contas de rosário.

Pior cego é o que vê.
Talvez, é zarolho!
Fica olhando e não cansa
E não acredita que viu.

Procura – vê se acha, então?
Difícil, é como “agulha no palheiro”,
Olha mil vezes – “se fosse cobra
mordia e não via”.

“Tudo tem a primeira vez”.
Pisar no espinho, confundir
Tomate com pimenta.

“Ela se enrabichou por caboclo”
Perigoso e agora “se zanga” da gente
“Toda vez que toca no assunto”.

“Você fede que nem bode.
Que tale ficar na sua?
E só me deixar em paz!
E não está aqui quem falou!”

“Não me enche o saco”, homem.
Gente, mulher não tem saco.

“É coisa fina” a pessoa honesta.
E “é o mais sortudo” que conheço
“Por essas bandas de cá”.

E meu pai foi “dono
de terras e perder de vista”,
desde o rio até a Serra do Cipó.
Das bandas de lá tem gente
De muitas posses;
Tem moça casamenteira
E rapaz de boa sorte.

Moleque, sua mãe não ensinou
que “apontar o dedo é coisa feia”.
“Dá berruga apontar as estrelas”.




J B Pereira
Enviado por J B Pereira em 08/01/2018
Código do texto: T6220641
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Sobre o autor
J B Pereira
Piracicaba - São Paulo - Brasil
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