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O elo que se desfez

E lá estávamos nós quatro novamente, relembrando da infância, de nossas amizades perdidas, o quarteto que começou com um elo, e foi separado por ele. Agora éramos adultos o suficiente para fingir o quão amigo somos ao nos reencontrar, claro, sem esconder a mágoa que vem dentro do peito desde aqueles dias...

Tudo começou 10 anos antes desse reencontro, 10 anos antes de nascer a falsidade em suas mentes.Uma escola onde ninguém se conhecia e, conseqüentemente, tentavam conversar uns com os outros para conseguirem novos amigos e conviverem normalmente por lá, não sabiam eles que posteriormente não haveria mais tal amizade com ninguém, todos fingiriam ser amigos uns dos outros e inúmeros conflitos existiriam, pobres jovens inocentes.

Juliano, Rebecca, Fernando e João Paulo, aí nascia uma grande amizade entre tais pessoas, amizade forte, que sobreviveria a conflitos, mas não resistiria à mudança total de alma de um deles, o elo do grupo.

Juliano era um sujeito simpático, gostava de conversar com novas pessoas e por isso sempre conseguia alguns colegas, mas as amizades realmente eram poucas, e ele se importava muito com isso.Rebecca começara aquele primeiro ano da escola como uma desconhecida, chata e que não conversava com ninguém, o que mudaria posteriormente, Fernando era a pessoa super simpática, que arranjava verdadeiros amigos facilmente e que nunca decepcionava ninguém a sua volta, além de ser o mais responsável.João Paulo era a pessoa que mais carisma tinha no grupo, que mais unia o grupo, ele era o elo do grupo (como dissera Rebecca várias vezes).

“Uma pena que tudo acabara tão cedo, juramos que jamais nos separaríamos” – pensara Juliano, enquanto comia alguns salgadinhos e tentava ser simpático com uma pessoa que ele não considerava nem como colega, quiçá conhecido.O pensamento de Juliano era mentalizado enquanto Rebecca não falava com quase ninguém e Fernando tentava rir de algumas piadas sem graça que João Paulo contava.Isso tudo regado à muita cerveja e vodka para agüentar o que seria “uma noite longa e cansativa” como pensara Fernando desde que chegara ao local.

Um ano, o tempo que o quarteto durou, parecia muito, mas afinal, eles juraram que jamais aconteceria a separação do mesmo.Porém João Paulo mudara tal concepção, virara outra pessoa, parecia que haviam lhe arrancado a alma e trocado-a por uma mais rude, agressiva e chata, sem direito a devolução.Ele brigou primeiramente com Rebecca, pois ela queria que o mesmo parasse de destruir sua vida inalando toxinas que com certeza acabariam com seu pulmão posteriormente, Fernando e Juliano não apoiavam também tal autodestruição que João Paulo estaria fazendo à sua vida, mas nada fizeram em tal momento.

Porém a convivência com João Paulo ficara insustentável, ele mudara completamente, a falsidade, ignorância e a constante vontade de falar mal de vida e pessoas alheias eram suas melhores qualidades, não tinha mais nada que o fizesse um ser humano com sentimentos que agradassem à alguém, só havia ódio naquela pessoa.Fernando e Juliano perceberam isso, e não teve como não se afastarem, não dava mais, João Paulo que fora o elo, agora havia destruído o quarteto, nada lhes restava mais além de mágoas.

E agora, lá estava ele, arrependido de causar todo o mal que fez às pessoas que só lhe quiseram o bem desde o começo, mas nenhum sentimento daquela antiga amizade restou nos corações de quem ele magoou, eles haviam aprendido já a serem falsos o suficiente para viver em sociedade, já que sem tal falsidade não há sobrevivência.João Paulo voltara a ser quem era, até a ser mais ingênuo, porém seus antigos amigos mudaram devido as necessidades, não tinham mágoas, mas também não tinham compaixão por ele.

João Paulo contraíra câncer pulmonar, já se curara e tentava curar as marcas em sua mente e coração, que o andara incomodando desde que saíra daquela escola, sem nenhum amigo, apenas convívio com pessoas iguais a ele, insensíveis.

Restaram apenas histórias sobre o valor das amizades, para serem contadas aos filhos e netos deles, nada mais.
Khris
Enviado por Khris em 25/05/2009
Código do texto: T1614391

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Sobre o autor
Khris
Limeira - São Paulo - Brasil, 28 anos
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Khris