QUESTÕES - O AUTO DE SÃO LOURENÇO

UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA

CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS, LETRAS E ARTES

DEPARTAMENTO DE LETRAS CLÁSSICAS E VERNÁCULAS

DISCIPLINA: LITERATURA BRASILEIRA I

PROFESSORA: DOUTORA ZÉLIA BORA

ACADÊMICO: WILDER KLEBER FERNANDES DE SANTANA

1 Destaque alguns aspectos do Teatro religioso dos Jesuítas.

O teatro religioso dos Jesuítas é composto simbolicamente por missionários, que tinham a preocupação centrada no estabelecimento de catequização dos Índios e contatos com os demais povos. Quanto à estrutura escrita, se reproduz, na maioria das vezes, em estrofes de quatro versos, possuindo a rima como elemento de interação, e sendo um dos aspectos fundamentais ao seu desenvolvimento. São colocados em cena homens – padres – que enfrentam, não apenas a desconfiança dos indígenas, mas também a dos próprios portugueses. A partir disso se constrói o imaginário, em que Deus (representado pelos jesuítas) e o diabo (que é designado, no texto, por nomenclaturas da própria cultura dos índios, como Guaixará) estão em constante conflito para salvar, ou perverter os índios.

Os apostólicos reuniam os índios, formando aldeias nas quais poderiam exercer o ato da catequese com eficiência, ao passo que tentavam manter os nativos longe dos que os queriam perverter – os próprios compatriotas. Percebe-se, então, que a cultura começa a ser disseminada de maneira mista, usando-se como instrumentos de caracterização as máscaras, as pinturas e as produções manuais provindas da natureza – estando estes vinculados aos processos educativos e litúrgicos do europeu. Como não existiam locais certos para as apresentações teatrais, estas aconteciam nas praças, nas ruas, nas Igrejas ou em colégios jesuíticos. O tempo se passa, em sua maioria, no presente, com constante diálogo entre as personagens. Portanto, um teatro interativo, mas com fins educativos, financeiros e políticos.

2_ Explique em termos de figuras de linguagem, a tensão entre cristianismo e a religião dos Índios, incluindo as personagens, espaços, ação dramática e enredo.

A dimensão estrutural construída no teatro dos Jesuítas, pautada na educação e na catequização indígenas, faz–se desenvolver com representações simbólicas, ou do próprio plano do real com o fictício. É então que percebemos a tensão entre a religião indígena e o que se instaura na cultura sacerdotal – a exemplo das personagens, (anjos e bichos, demônios e guerreiros), além das figuras alegóricas, como o temor e o amor prestados a Deus. Um dos elementos que sempre é retomado ao longo da narrativa – por meio de diálogos – é a bebida, o cauim, em que Guaixará e Ambirê, demônios que querem perverter os “nativos”, sempre a retomam. No conflito que se estabelece entre os demônios citados e São Lourenço podemos perceber, de modo direto, que a tensão tem seu crivo fundamentado entre o “embriagar” – sentir prazeres em ato de descontrole – e o santificar. O texto compõe-se de ironias, alegorias, comparações e personificações, entre outras.

Na página 21 do livro é retratado o conflito que se coloca entre o pecado e a confissão que, segundo São Lourenço, é o remédio para a cura. De um lado os demônios dialogam a respeito de como adulterar os corações. De outro, São Lourenço se dispõe em condição de afronta, ao proferir que os arrependidos obterão a bênção. Com isso, constatamos que houve grandes propósitos nas construções textuais da época, e não apenas retratar a vida do índio. Com peças revestidas de valores e significados, afim de que a religião nativa tivesse sido julgada e enfim, transformada. É imprescindível ressaltar que a natureza foi propriamente o palco central dos acontecimentos, tida como local do projeto de colonização. Podemos observar uma prosopopéia, quando a natureza surge a “serviço do diabo”, nas atribuições de características humanas.

Por fim, o termo “brutalidade” (representando as situações grotescas a que os índios eram submetidos) deve ser encarado, tanto em miragem dos Jesuítas, quanto em perspectiva dos soldados europeus – com diferença apenas nos métodos de ensinamento e imposição das regras.

Wilder F Santana
Enviado por Wilder F Santana em 09/11/2011
Código do texto: T3327005
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