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Ontem na sala de aula

        A professora esgotada com excesso de cobrança, mas com amor à sua profissão, chega à escola ofegante (quase se atrasa, culpa de um motorista que parecia ser marinheiro de primeira viagem).
        Oferece sua educação a todos, afinal de contas um bom dia, boa tarde ou boa noite, informa sobre você uma educação a qual umas pessoas por não responderem, demonstram que deixaram os problemas, ou não, nos seus devidos lugares.
         A professora tem que optar ou vai beber água, ou ir ao banheiro, ou comer uma bolachinha, ou tomar um café (se tiver), já que chegou em cima da hora.
        Entra na primeira sala e demonstra a sua educação, porém não nota reciprocidade total. Pergunta quem fez a atividade proposta, pedida a dois meses, ler o livro de George Orwell, A revolução dos bichos, recebe um não coletivo, isso desmotiva um pouco, mas fazer o que?
           Teve uma idéia: chamar uma aluna de outra sala, a única que leu, pediu encarecidamente para que a professora dispense por um tempo determinado, como foi aceito, houve uma estratégia realizada.
           A jovem aluna passou a contar os detalhes do que ela leu e ao final foi oferecida perguntas diversas aos alunos, o combinado seria abaixar a nota por ter péssimo comportamento, tirar nota por respostas feitas a lápis, se houvesse conversa paralela também deveria ser prejudicada a sua pontuação.
           Após todo o contexto, ficaram indignados, pois mesmo com a leitura feita, recitada, a compreensão deixava a desejar.
          Bateu o sinal e a professora se desloca para a próxima sala, lá nota uma aluna cabisbaixa, a chama para um diálogo a parte, pede para os alunos treinarem o teatro sobre drogas, enquanto conversa com a aluna do lado de fora da sala.
           Para a sua surpresa a aluna diz: professora me dá um abraço?
           Que emoção! Alguém precisa e reconhece o seu valor!
           Logo após o abraço, haviam duas pessoas chorando.
           Sabiamente após limpar as lágrimas a docente perguntou o que estava acontecendo. Como era aluna nova provavelmente estava em fase de adaptação, mudar de escola no terceiro bimestre é dificil para qualquer um.
           Logo a idéia lhe vem rapidamente à cabeça, pede para andar de carteira em carteira, pede para que cada aluno estique o braço e ao apertar a mão dela diga: Você merece respeito. E posteriormente deveriam abraçá-la individualmente.
           Em seguida, pediu para a aluna dizer quais abraços não sentiu a demonstração sincera de sentimento. Disse que umas 4 e apontou. A professora chamou uma e pediu para irem para fora, ali pediu para a Patricia dar um abraço para a aluna nova de uma forma que demonstre dedicação a um ser humano com princípio de depressão. Pronto iniciou-se uma amizade.
          Bate o sinal e a professora com os joelhos doendo, sobe as escadas para as duas últimas aulas. É bem recebida, porém nota enquanto faz a chamada que uma jovenzinha está chorando, aliás se desmanchando em lágrimas.
          Finaliza a chamada, dá uma atividade para todos: façam um redação contendo os seu medos, no passado, no presente e quais medos representam o seu futuro, mínimo de 20 linhas. Dai chama a aluna chorona para fora e conversa sobre essa tristeza.
          A mocinha diz que tem 5 amigas mas existe uma que já não faz parte pois já não gera confiança. E não querem perdoá-la.
         Levei uma a uma para fora para ver suas versões. Dai chamei de duas em duas para colocar em pratos limpos. Houve abraços e choros pela reconciliação.
         Dai para finalizar pediu-se para a aluna falar na frente, pedindo desculpas para a sala e posteriormente ir nas carteiras de cada um e pedir perdão e receber um abraço ou não.
         Em alguns minutos uma aluna que sempre foi quieta, indignada desabafa: Você está com lágrimas de crocodilo, não acredito em você, és falsa ( todos sabiam disso), imagina o alvoroço.
        A professora chamou a Carol para conversar em particular enquanto a Lauane pede desculpas para cada aluno.
       Do lado de fora a Carol desabafou, sabe o quanto a Lauane é cínica.
       Assim que finalizou o pedido de perdão, veio para fora a pedido da professora, agora teria que ouvir tudo o que a Carol tinha a dizer. A consciência deve ter doido. Depois se humilhou e disse que estava arrependida. A professora pediu para que se abraçassem e enquanto isso desamarrou o cardaço das duas e amarrou com um laço um pé da Carol com um pé da Lauane, mandou que elas entrassem assim na sala e ganhou aplausos de todos.
          Tiraram fotos inacreditáveis da reconciliação delas com a heroina professora Maria Aparecida.
          Voltando pra casa com o senso de dever cumprido, só quer um banho e descansar, liga o chuveiro e nota que está quebrado. Eis a realidade de um docente sofredor no dia de ontem.


CIDA MOURA
Enviado por CIDA MOURA em 30/08/2019
Reeditado em 30/08/2019
Código do texto: T6732666
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
CIDA MOURA
São Paulo - São Paulo - Brasil
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CIDA MOURA