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AMOR PROIBIDO EXISTE?

Criticar e julgar os outros não é coisa que se deva fazer. Principalmente, quando se tem um telhado de vidro. E, quem pode dizer com todas as letras e, de forma sincera, que não o tem? O ser humano é incompleto, falível e, portanto, passivo de errar.
E, isso se torna mais latente ainda quando a questão é Amor. Será que se pode criticar alguém pelo simples fato de amar? Pode se condenar alguém por estar amando outro alguém que seja considerado ¨impossível¨? Existe impossibilidade no Amor? Alguém por acaso é dono de alguém? Não será tudo isso um mero ¨pré-conceito¨?

Grifei esse termo porque quero chamar a atenção para seu real significado.  Note: Pré normalmente refere-se ao que vem antes. Logo, está se fazendo um conceito anterior ao conhecimento da causa.

Ora, ter esse tipo de atitude é algo que nem Freud com toda a sua bagagem de conhecimentos relativos à mente humana conseguiria explicar. Até porque ele próprio se tornaria vítima de seu próprio parecer. Ou por acaso vocês têm a ilusão de que Freud nunca teve um Amor impossível? Então, porque ele haveria de preocupar-se tanto em dar definições para sentimentos tantos?

A psicanálise a partir de Freud tenta relacionar conceitos da mente a partir da interpretação de sonhos e, com isso, busca explicar os pensamentos e sentimentos reprimidos como uma forma de energia.

É claro que aqui estou me referindo ao estudo que ele fez relativo a sexualidade infantil, quando tentou através da mitologia grega provar a veracidade de seus conceitos. Todavia, por tratar-se de igual maneira de um sentimento reprimido por muito anos, busquei pesquisar uma forma de explicar o que vem acontecendo com pessoas de meu relacionamento.
Porém, nem mesmo Freud conseguiu sanar minhas dúvidas.
Assim, fui pesquisar Regina Navarro Lins, a maior sexóloga da atualidade no Brasil. E, embora respeite sua opinião, não posso dizer que eu reze o tempo inteiro por sua cartilha. Até porque me considero a última das românticas sobre a face da Terra. Sou brega mesmo! E, não creio que a ciência possa de qualquer forma explicar o Amor. Para mim, o Amor é algo infinitamente superior a tudo que se possa imaginar. Portanto, não é passivo de explicar, apenas de sentir.
Ora, se é sentimento também é involuntário. Então, como pode se evitar? Ou condenar? A leitura de  Regina também, não conseguiu responder minhas questões...

Hoje, dois amigos meus estão vivendo o maior inferno de suas vidas. Simplesmente porque se amam. E, a nossa sociedade condena esse Amor. Questionam o fato de eles não terem ficado juntos há trinta anos atrás, quando ambos ainda eram ¨livres¨ e, só quererem se unir agora, quando teriam de desestruturar duas famílias para poderem realizar seu desejo de estarem juntos.
Ocorre que há trinta anos atrás eles, mesmo livres, não tiveram as reais condições de concretizar esse Amor. E, a vida se encarregou de afastá-los. Agora, torna a aproximá-los, quando ambos já estão casados e, são pais de família.
A princípio pode parecer errado que, em detrimento do sonho de duas pessoas, meia dúzia ou mais fique sofrendo. Posto que esse sofrimento fosse não só de seus atuais cônjuges, mas também de seus filhos e, deles próprios, afinal não existe separação sem dor. Mas, por outro lado, há que se pensar no fato de que se ambos estão apaixonados é porque simplesmente não têm um sentimento de Amor carnal com aqueles que ora dividem essa vida com eles. Por mais que lhes devotem carinho, amizade, respeito, afeto, gratidão... Nada disso é suficiente para se viver uma vida em casal e, faltando algo, são infelizes. Isso posto, deve-se levar ainda em conta o também, fato de que ninguém que esteja infeliz poderá fazer outro feliz. Então, para que protelar? Por que insistir na própria infelicidade e, provocar ainda que involuntariamente o sofrimento de outros?
Aí vêem os falsos moralistas pregando que a família não deve jamais ser dividida. E, citando mandamentos de Deus para justificar suas sandices. Concordo. A família não deve jamais ser dividida, em hipótese alguma. Mas, onde está a verdadeira família? Pode se chamar de família dois homens e duas mulheres infelizes, insatisfeitos, que vivem estressados e, perdem dia a dia a vontade de viver?
Por outro lado, já que meus amigos não amam de fato seus parceiros, seria justo impedi-los (os parceiros) também, de encontrar alguém que lhes ame como merecem? Seria essa a real vontade de Deus?
Ah, não me venham com filosofia barata, por favor! Eu também vou à igreja, rezo, creio em Deus e, na minha salvação por intermédio de Jesus Cristo. Mas, não creio que exista na face da Terra um homem só, capaz de interpretar corretamente as palavras da Bíblia Sagrada, na íntegra. Sempre ficarão lacunas onde vão coexistir várias interpretações.
Lembrem-se que no Antigo Testamento cultuava-se o sábado e, no Novo Testamento, Jesus diz ¨Eu sou Senhor até do sábado.¨ Será que se houvesse um ¨Contemporâneo Testamento¨ não haveriam outras alterações?
Não, eu não estou blasfemando nem criticando a Bíblia de forma nenhuma. Creio em sua veracidade e, legitimidade. Mas, questiono sim, as interpretações que lhe damos costumeiramente.
E, defendo e, morrerei defendendo que o Amor está acima de qualquer regra social. O próprio Deus em meu entendimento é Amor. Alguém pode se sobrepor a Ele?
E, partindo do pressuposto de que Deus é Amor, Ele não há de querer ver dois seres que se amam passarem pelo que estão passando agora. Nem há de querer vê-los afastado, pois se foi Ele próprio a (re)unir seus caminhos...
Além disso, não existe nada mais saudável que o verdadeiro Amor. Como bem o disse Vinícius de Morais: ¨Amar, porque nada melhor para a saúde do que um Amor correspondido.¨

Agora, encerro meu texto com um pequeno soneto em homenagem aos meus dois queridos amigos Leon del Bargo e Ceci de Leon.

CONSELHO

Se Leon e Ceci se amam
Eles vão juntos ficar
É por isso que eles clamam
E, Deus irá abençoar.

Nessa vida já sofreram
Mais que se pode agüentar
Por caminhos se perderam
E, tornaram a encontrar.

Mas, lutem pelo que querem!
Venho lhes aconselhar
Que a solução acelerem

Pra poder de fato amar
Dessa benção se apoderem
Pois, Amar não é pecar!
Tânia Regina Voigt
Enviado por Tânia Regina Voigt em 12/10/2007
Reeditado em 11/04/2009
Código do texto: T690774

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Sobre a autora
Tânia Regina Voigt
Pelotas - Rio Grande do Sul - Brasil
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Tânia Regina Voigt