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Essas recordações me matam...

A vida que vivemos, sempre de muitas surpresas, de fatos que nos desestabilizam nos colocando a todo momento em situação de estresse , faz com que tenhamos a necessidade de buscar forças para superar estes momentos de dificuldade, fazendo com isto que busquemos uma fórmula mágica de felicidade, como se fosse descrito em passos a serem dados, ou até mesmo como uma receita de bolo, que se seguirmos conseguiremos o objetivo imaginado.
Grande ilusão, ou terrível equivoco, é pensar que o que fez uma pessoa se tornar um vencedor, um milionário, ou mesmo um empreendedor de sucesso, será também aplicado a todos que ilusoriamente perdem seu precioso tempo, e dinheiro, pois como diziam os antigos, "tempo é dinheiro", mas o valor do tempo é na verdade incalculável, pois é algo que não se consegue fabricar, posto que é limitado. O que estas chamadas regras, ou passos, caminham em uma única direção, que é a imprescindível pergunta:
O que você quer para sua vida?
O que importa realmente para você?
O que de verdade você busca?
Posso passar um pouco da minha experiência pessoal, pelo fato de ter vivido algumas vidas, em uma só.
Nasci no que podemos dizer "em berço de ouro", pois por parte de pai tivemos uma Herança de terras, e fazenda, além de uma boa quantia em dinheiro, que de tão farto, meu pai se permitia algumas excentricidades, como sair com uma Toyota, na época um carro muito caro, zero Quilometro, distribuindo alimentos, agasalhos, no tempo do frio, pelos morros da cidade que nasci. Meu pai não fazia conta de dinheiro, e não entendia que ele podia ter fim, achando que ao fazer caridade, estaria fazendo o que era o mais certo. Lembro-me de visitar presos para fazer palestras para tentar passar uma lição que permitissem uma possibilidade de recuperação. Além de tudo, adquiria objetos feitos pelos presos, com o intuito de ajuda-los. Sim, meu pai era uma destas pessoas que tinham um profundo respeito ao ser humano.
Enquanto que por parte de minha mãe, também herdamos uma grande e valorizada quantidade de terra, com terreno próprio, fértil, para a cafeicultura. Plantar café era e ainda é um bom negócio, ainda mais hoje em dia quando se vai para o caminho do café gourmet, chamados de cafés especiais, tipo exportação, que possui uma valorização muito alta, tanto que não consigo entender se o sabor destes cafés seriam tão superiores para o preço ser astronomicamente superior ao café que classificamos como comum. Tenho dificuldade para entender essa proporção de valorização, sem desmerecer a qualidade, com os cuidados que são observados na colheita destes grãos. O problema meu é matemático, pois acho a diferença em termos de preço, como disse, muito fora da realidade.
Deixemos estas questões sobre o café para outra resenha, voltemos a falar um pouco da minha experiência.
O leitor, obviamente, percebe que pela forma de ser de meu saudoso pai, mencionada acima, que em pouco tempo, perdemos literalmente tudo que tínhamos. Terras, cafezal, farmácia, pois minha mãe era farmacêutica, e com o meu pai voltado para a filantropia, não permitia que ninguém saísse com o medicamento que necessitasse, mesmo se não tivesse um tostão furado no bolso.Meu pai não fazia conta, e todos que gastam mais que recebem, acabam ficando sem nada, ou até mesmo, no vermelho. A conta não fecha.
Assim vivi algum tempo da infância, após "as vacas gordas", em dificuldades financeiras causadas pela mania de total desapego, que meu pai tinha, a ponto de sairmos, e olhando um doce que eu até hoje aprecio, chamado de quindim, e meu pai vendo meu desejo pelo doce "me olhando" na vitrine da padaria, contar as moedas, chegando a triste e cruel conclusão que necessitava de mais algumas para atingir o valor da cobiçada iguaria.
Após este período de um perrengue nas contas, pois meu pai após o choque de realidade, ficou algum tempo transtornado pela situação, só se recuperando após com dificuldade arrumar um emprego de vendedor de frutas. Ao que ele sempre repetia, até hoje não sei se para se consolar, ou para me passar uma lição de que tudo é importante como aprendizado.
-Todo trabalho é digno, meu filho.
Nunca duvidei das palavras do velho, que por uma boa causa, a de servir e ajudar os mais pobres, perdeu o que tinha. Agora quem precisava de ajuda eramos nós. Ele sempre me estimulava a estudar, o que me fez admirá-lo apesar daquela situação de restrições as quais até pouco tempo, não conhecíamos.Como dizia uma música do Roberto Carlos: ESSAS RECORDAÇÕES ME MATAM,
POR ISSO EU VENHO AQUI...
...EU VENHO ME DEITO E FALO
A VOCÊ QUE SÓ ESCUTA
NÃO ENTENDE A MINHA LUTA
AFINAL DE QUE ME QUEIXO
SÃO PROBLEMAS SUPERADOS
MAS O MEU PASSADO VIVE
EM TUDO QUE EU FAÇO AGORA
ELE ESTÁ NO MEU PRESENTE
MAS EU APENAS DESABAFO
CONFUSÕES DA MINHA MENTE.

São de fato problemas superados, como disse o cantor,.
mas "essas recordações me matam."
Depois conto mais...



wilson pena
Enviado por wilson pena em 23/06/2020
Reeditado em 23/06/2020
Código do texto: T6986007
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre o autor
wilson pena
Ouro Preto - Minas Gerais - Brasil, 60 anos
1020 textos (29517 leituras)
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wilson pena