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Realidades versus psicologia moderna

Segundo a "psicologia moderna", para que você não acabe sendo diagnosticado com algum transtorno de personalidade, isto é, para não ser estigmatizado como "anormal", o ideal é  que você seja: extrovertido, confiante, produtivo, conformado/convencional e emocionalmente estável.

Mesmo se você despertar sua consciência filosófica e se tornar mais melancólico/nostálgico, ao passar a perceber a realidade do fluxo imparável do tempo, de maneira profunda e permanente, refletido em seu tempo de existência e naqueles em que você mais ama. Porque, se der esse "passo em falso", a maioria dos profissionais de saúde mental o diagnosticará como "depressivo".

Você também não pode ficar mais ansioso em interações sociais aleatórias,mesmo já tendo um histórico de atritos e traumas, isto é, de já ter experiência suficiente para saber que existem muitos humanos com os quais não vale a pena sequer uma breve aproximação, porque, se cometer esse "equívoco", eles te rebaixarão com o rótulo de "socialmente ansioso" ou, então, como "portador" de um "transtorno de personalidade esquiva".

Ah, e você não pode nem pensar em ficar significativamente frustrado, com raiva e/ou com medo, mesmo se passar a perceber, talvez, de maneira mais realista, o cenário catastrófico que tem se desenrolado a partir da pandemia de covid-19, no ano de "2020" (de "meu deus"), junto à escalada de populismos perigosos na política, especialmente os de (extrema) direita, se seria uma reação perfeitamente lógica, por causa das consequências terríveis desses acontecimentos em relação às questões mais relevantes, da ecologia aos direitos humanos. Porque, se você reagir desse jeito, eles te estigmatizarão com o rótulo de ''neurótico'',  ''mentalmente instável '' ou com "personalidade limítrofe"...

Eu sei, eu sei. Não estou sugerindo que não existe esquizofrenia, psicopatia ou transtorno bipolar, mas que tem um monte de transtorno de personalidade por aí que só existe quando os contextos, dos que são rotulados com eles, não são levados em conta. Portanto, você só é socialmente ansioso se o seu histórico de hostilidades gratuitas que já sofreu, mais a sua maior sensibilidade, não forem conjugados nesta equação. Porque, se forem conjugados, fará total sentido lógico que esteja reagindo assim, tal como quando sente frio em um dia com temperaturas baixas ou quando chuta a porta sem querer e sente irradiar aquela dor incômoda pelo dedo mindinho. Não é irracional, errado ou anormal pra você, se aprendeu com a experiência a ser mais comedido com seres humanos, mesmo se chegar a se isolar completamente, porque, de qualquer maneira, você não terá partido de lugar nenhum. Você também pode ficar extremamente triste a partir do falecimento de uma pessoa ou de um ser muito querido, que o seu sentimento fará total sentido, dependendo do nível de afeto que nutre pelo falecido. Por isso que existe mais de uma maneira de perceber e sentir uma mesma realidade ou perspectiva, sem que seja forçosamente o reflexo absoluto de um desequilíbrio mental intrínseco em que, pressupõe-se que o efeito seja a própria causa.


Você pode não ter alcançado a consciência filosófica, ou mantido o seu otimismo nas relações humanas, ou não estar sofrendo muito com a pandemia e/ou com a política, especialmente no Brasil, que não será, a priori, considerado "anormal", se parece existir um rol de possibilidades reativas, legítimas, para uma mesma situação.

No entanto, se o critério de análise for sobre o nível de coerência e realismo quanto às/suas percepções e reações, então, melancolia, ansiedade, raiva e frustração, serão as respostas mais lógicas às realidades exemplificadas. Se a consciência sobre a passagem do tempo é sobre as verdades existenciais ou absolutas, que são as mais importantes de todas as verdades. Se é difícil não "pisar em ovos" com a maioria das pessoas e se o seu perfil ainda aumentar o risco de ser hostilizado por conhecidos e desconhecidos, sem ter uma razão racional. E se é esperado que não fique apático ou indiferente às situações extraordinárias que temos vivenciado, tal como a pandemia, se isso o ajuda a não agir de maneira irracional, evitando que acredite em notícias ou informações falsas (propagadas especialmente por populistas de direita) e, a partir daí, passe a ir contra as medidas profiláticas recomendadas pelas autoridades sanitárias mais gabaritadas, se expondo, e os outros que convivem contigo, ao risco de infecção pela covid-19.
Thiago Fávero
Enviado por Thiago Fávero em 05/04/2021
Reeditado em 07/04/2021
Código do texto: T7224341
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre o autor
Thiago Fávero
Bicas - Minas Gerais - Brasil, 32 anos
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Thiago Fávero