Gênero Textual: a porta aberta para a comunicação

Sabemos que a necessidade de haver comunicação entre os diversos povos e suas culturas não é de hoje. Então, para que esse fenômeno ocorresse, foi-se necessário modificações não só na postura do homem em relação ao mundo que o cerca, mas também dele proporcionar meios para que o ato da comunicação seja facilitado e, principalmente, usual. Para isso, estudiosos, em distintas épocas, foram encontrando esses facilitadores em nomenclaturas teóricas a respeito da textualidade, até chegar à proposta de gênero textual.

Essa atual postura na taxonomia da palavra traz consigo uma série de modificações para com texto nas situações sócio-comunicativas, uma vez que o termo gênero textual caracteriza-se como sendo textos materializados e encontrados no dia-a-dia e se apresenta com características que atendem ciências, como a Pragmática, além de possuir função social, estilo e composição característica. Não se trata de um termo estático, mas dinâmico, pois estamos afirmando de um fenômeno usual, que atende a evolução e as necessidades da língua de um povo.

Conforme Bazerman e Paul (2006),

Gêneros são tão-somente os tipos que as pessoas reconhecem como sendo usadas por elas próprias e pelos outros. Gêneros são o que nós acreditamos que eles sejam. Isto é, são fatos sociais sobre os tipos de atos de fala que as pessoas podem realizar e sobre os modos como elas realizam. Gêneros emergem nos processos sociais em que pessoas tentam compreender umas às outras suficientemente bem para coordenar atividades e compartilhar significados com vistas a seus propósitos práticos. (p. 31)

Essa citação se ratifica, quando afirmamos que gêneros são formas materializadas de atividades sociais criadas pelos seres humanos e são facilmente multiplicados, de acordo com as necessidades da época. Não é à toa que, com o grande avanço tecnológico, principalmente na área de comunicação, proporcionou-se um grande número de gêneros textuais, atendendo as propostas de comunicação em um mundo globalizado, como: telemensagens, mensagens eletrônicas, via celulares, cartas eletrônicas (e-mails), bate-papos virtuais, sítios interativos (web sites), dentre outros.

Marcuschi (2002) ainda acrescenta comentários a respeito de gênero textual, ao considerar texto como uma entidade concreta realizada materialmente e corporificada em algum gênero textual. Logo, o gênero é o texto, nos diversos contextos de atividades sociais, que facilita as atividades sócio-comunicativas.

Para exemplificar isso, quando invocamos um gênero, como uma reportagem, estamos invocando não apenas um modelo estético de um gênero, ou modos e tempos verbais que, geralmente, façam parte do desse contexto. Estamos invocando o papel do jornalismo e de qual a função social que possui a essa reportagem em determinado jornal e qual o público alvo a ler tal conteúdo jornalístico. Isso é analisar o texto em uso, uma vez que se trata de um gênero veiculado socialmente e conhecido, se não pela totalidade, mas pela maioria das pessoas.

Por afirmações, como as expostas, percebemos a importância e a carga que o gênero textual possui em nossa atualidade, uma vez que se trata de um fenômeno cultural, histórico, dialógico e, portanto, sócio-comunicativo. Trata-se de um atributo que é utilizado em determinada situação de comunicação. A escolha é feita de acordo com diferentes elementos que participam de um contexto, como quem está produzindo, para quem, com que finalidade, em quê momento histórico e com quais efeitos.

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Referências:

BAZERMAN, Charles; DIONÍSIO, Ângela Paiva; HOFFNAGEL, Judith Chambliss (Orgs.). Gêneros Textuais, Tipificação e Interação. São Paulo: Cortez, 2006.

MARCUSCHI, Luiz Antônio. Gêneros Textuais: Definição e Funcionalidade: In DIONÍSIO, Ângela Paiva; MACHADO, Ana Rachel; BEZERRA, Maria Auxiliadora (Orgs.). Gêneros Textuais & Ensino. Rio de Janeiro: Lucerna, 2002.