CHARLES SANDERS PIERCE: UM NOVO OLHAR SOBRE O PRAGAMATISMO NORTE-AMERICANO

Charles Sanders Peirce nasceu nos EUA, em Cambridge, formou-se na Universidade de Harvard em física e matemática (1859), e mais tarde em química na Lawrence Scientific School. Paralelamente, estudava filosofia aprofundando-se principalmente em Kant. Foi o fundador da área do saber designada por semiótica. Peirce é uma das principais referências do pragmatismo norte-americano, nele a corrente assume uma dimensão cientifica e logica. Sendo o pragmatismo uma corrente filosófica que defende o primado da razão prática em relação à razão teórica, e que compreende a concepção de signo e a definição de verdade, Peirce defende a ideia de que a verdade é provisória: “Uma proposição só é verdadeira na medida em que funciona e enquanto funcionar”, ou seja, a verdade é provisória até que uma melhor explicação seja fornecida. Peirce diz que é falso dizer simplesmente que uma boa linguagem é necessária para bem pensar, visto que ela é a própria essência do pensamento. Com isso, entende-se que não é necessário ter uma boa linguagem, de perfeito intelecto, para que se possa bem pensar. Esse pensamento de Peirce remete ao pensamento saussiriano sobre competência e desempenho, uma vez que podemos ter uma excelente competência, mas não termos um bom desempenho, ou seja, para se ter um bom desempenho é necessário competência e empenho, já que só a mera competência não se faz suficiente no momento do desempenho, no entanto os dois competência (pensamento) e desempenho (linguagem) estão intimamente atrelados, o segundo provém do primeiro. Uma das propriedades do signo é enviar a um outro signo, assim o pensamento é um signo, que envia um outro pensamento, que por sua vez será seu signo interpretante. O homem é um signo e quando pensamos somos signos. “Um signo é algo que representa algo para alguém sob alguma relação ou algum título. Ele se dirige a alguém, isto é, cria no espírito desta pessoa um signo equivalente... Este signo criado, eu o chamo de interpretante do primeiro signo”. O interpretante será o signo criado, um signo que tenha valor para alguém, e é o que interpreta, explica o primeiro signo. Há um outro pensamento de Peirce que responde a perguntas que outro campo de estudo da linguagem, chamado Pragmática, tenta responder: Podemos confiar no sentido literal de uma frase, e Como alguém pode dizer algo a alguém e este entender totalmente diferente? Para Pierce, quando se fala do sentido literal de uma frase pouco importa quem a pronuncia, em que circunstâncias e pra dizer o quê. Se levam em conta a identidade do falante, sua intenção, sua situação de uso dentro do contexto. Dessa forma, vê-se que o sentido é modificado, esclarecido, enriquecido, ou seja, quando o falante pronuncia uma frase esta sai carregada de sentidos, intenções, não é pronunciada apenas a frase em seu sentido literal, mas ele revela sua própria identidade e o interpretante a recebe e a entende partindo de sua própria identidade, por isso que muitas vezes se entende algo totalmente diferente daquilo que se queria dizer. Pierce parece ter sido um dos primeiros a acusar a existência da Pragmática, referindo a ela como sendo a relação dos signos com seus interpretes, embora seus estudos sejam voltados mais exatamente ao pragmatismo. É dele que Morris (1938) inspira-se e lança sua definição de que a pragmática seria a disciplina encarregada de estudar a relação entre os signos e seus usuários.

Peirce contribui de maneira incisiva para os estudos do pragmatismo, levando em conta questões que são necessárias para o nosso aprendizado, pois ligando teoria e pratica, suas ideias podem ser provadas frente à realidade. Assim sendo, recomenda-se sua abordagem teórica para os iniciantes, professores e estudiosos deste campo de pesquisa, já que seu pensamento abrange um amplo amparo de ideias pertinentes.

REFERENCIAS:

PEIRCE, Charles Sanders. “Escritos coligidos” (seleção de Armando Moura d’Oliveira) in Coleção Os Pensadores: Charles Sanders Peirce e Gottlob Frege, São Paulo, Nova Cultural, 1989.

PEIRCE, Charles Sanders. Semiótica (selecção de textos dos collected papers), São Paulo, Perspectiva, 1995.

COSTA, Jorge Campos da. A relevância da pragmática na pragmática da relevância (recurso eletrônico) / Jorge Campos da Costa – Dados Eletrônicos – Porto Alegre : EDIPUCRs, 2008.

LF Rodrigues, Tamara Andreza, Moanna Queiroga e Hellen Oliveira
Enviado por LF Rodrigues em 06/02/2014
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