RESENHA DO LIVRO DE PAULINO VERGETTI NUMA CAMA SEM LIMITES

Resenha do Livro “Numa cama sem limites” de Paulino Vergetti Neto

Uma resenha espontânea, sem crivo e conhecimento do autor. Sensações, reflexões sobre um bom livro, uma boa leitura.

Eu a escrevo com palavras e sentimentos que são alma e coração. Nada técnico. Palavras!!! Quando as quero plenas elas me parecem frias e vazias no muito que gostaria de dizer desta obra de Paulino Vergetti Neto. Eu a ofereço como um “mimo”, querido amigo. É sempre um prazer saborear seus escritos

Tive o privilégio de ser a primeira a ler o “Numa cama sem limites”.

Paulino Vergetti Neto escritor com estilo próprio, corajoso, desafiador, desafiante, que se lança de corpo e alma a projetos onde o entendimento da alma dos personagens sempre será o cerne do enredo. Deixa “ o que vão falar” em nome da ousadia de provocar reflexões sobre o comportamento humano “santo e pecador” nos meandros de suas sombras e luzes, uma das características pontuais em suas obras. Constantemente resgata a alma em seus transes, doentes, e a quer feliz. O romancista tem a sensibilidade que nos comove e constrói.

Em seu mais novo lançamento” Numa cama sem limites” foi fiel ao título. Ele o teceu sem limites, sem preconceitos, sem sombreamento nas palavras na volúpia de seus personagens. Um livro erótico, o qual descreve com todos os is, esses e erres o relacionamento sedução na “linguagem” erótica, nada angelical contextualizada na história, instigante, provocativa. Quando pensamos que já vimos de tudo, ele nos surpreende com fatos novos, inenarráveis neste espaço. No avançar da leitura desvendamos em seus personagens o amor “ágape” bem como o filos, exacerbados na mesma medida. Se assim não fosse, não seria obra de Vergetti. Leitor de nossos silêncios, de nossas almas, de nossos desejos. Digo que ele é um garimpeiro de sentimentos.

Paulino vai tocando o corpo, dilatando os poros onde vertem as mais inusitadas, arrojadas fantasias sexuais entre os casais, suas trocas de parceiros, numa pretensa liberdade consentida entre os envolvidos, às claras, em confiança mútua. No palco, do teatro ficção, se apresenta a natureza humana, com todas as emoções desconcertantes, que transcendem à razão “ do pacato cidadão”.

Vem à tona o conflito entre ser conservador nos costumes, valores caseiros enraizados na criação familiar, religião, crenças quanto ao que nos faz feliz e, entre o vale tudo para conquistá-la. Qual é o limite deste voo, para que não nos percamos da referência do que somos, em nome da modernidade. A leitura de “Numa cama sem limites” será provocador neste sentido. Não seremos os mesmos depois de bebermos sua essência, além do erótico. O autor não se coloca no status “assexuado” diante do romance. Ele se desnuda, como em outros romances de sua autoria e partilha sua experiência de prazer ao escrevê-lo, estimulando o leitor a sentir o mesmo, a se conhecer. Espírito, corpo, psíquico, humano, divino. Somos tudo isto. Como negar? Cada um expressado em sua singular linguagem. Assim os personagens vão construindo suas histórias.

O romancista Paulino além do sexo insaciável de seus personagens, nos presenteia páginas e páginas onde o sexo forte e contundente, cede espaço ao amor, reflexão,descrito em frases poemas, nas quais afloram emoções, ternura, como estas.´: “ O amor consegue juntar as pessoas e é difícil separá-las. O prazer de servir e ser servido chega com força da cumplicidade e a mulher olha o homem e ele retorna o olhar e procuram ser felizes”... “ Minha mulher era a minha outra alma.” E assim vai nos encantando.

Na segunda parte do livro, em um rico apelo psicológico, relata a esquizofrenia de uma das personagens com muita doçura, compaixão, quando ela sai de si mesma, dando espaço à doença que a consome, a desestrutura como mulher, como ser pensante, não mais a possibilitando que ame seu marido com todas as suas forças de amante. Ela é o seu próprio mundo desabando. Na solidão de si mesma ela diz à sua mãe. “ Mãe às vezes eu me acho tão sozinha que eu até procurando minha alma eu não a encontro e por isso procuro o meu corpo. Esse eu sempre acho”. “Na minha doença desaprendo de viver.” O marido desolado, sofre, pois o “amor não suporta a decadência do ente querido”. Neste episódio dolorido o autor questiona até que ponto a violação dos nossos princípios; nossa mente suporta. Não seria peso demais para os nossos ombros? Transformar -se a partir de coerências e respeito pelo nosso verdadeiro “eu”. O “eu” da nossa essência o “eu” do equilíbrio: mente, coração, emoção, razão. O desafio de todos os dias. Paulino faz isto com maestria e nos põe a pensar nas desconstruções e reconstruções de nossas casas interiores. Que viga angular a personagem não deveria ter derrubado. Há enigmas entre o passado e o presente, como um labirinto desenhado no baú desconhecido do nosso inconsciente. Lendo o livro o leitor tomará ciência do fato que a fez desmoronar bem como seu desalento perene.

Interessante o jeito de escrever de Paulino Vergetti Neto. Ele vai tramando, onipresente, um diálogo entre o autor, narrador e leitor sem perder a cadência da história, sem quebrar o ritmo, a sonoridade do enredo. Ele resgata o leitor do sofá e o coloca dentro do livro, num acolhimento singular, fazendo-o próximo de si. Dá vontade de responder às suas indagações,manter um bate papo.. então... Paulino....rssr

“Numa cama sem limites” prende, fascina o leitor ao saboreá-lo. Há de ser lido sem preconceitos, sem o julgar por julgar, numa ficção onde se enxerga além das palavras, além da propositura natural de um livro erótico. Nele há o SER pleno com desejos desenfreados de alguns, comedidos de outros .O ser humano não se repete, nem a ele próprio. A ação dos personagens jamais faríamos por princípios, pelo jeito de enxergar a vida, por instintos morais, valores, mas pertencem a eles. No VER validei meus sentimentos, não os reprimi. No JULGAR eu o li como leitora. Deixei a Olynda mulher do lado de fora. Sentei-me na plateia, e não perdi uma cena da peça bem escrita e produzida. No AGIR A este eu risco a estrada com o prazer na verdade que me convier.

‘Numa cama sem limites”, um livro tecido com esmero, cuidado, carinho de um escritor perfeccionista em respeito aos seus leitores. Este é Paulino Vergetti Neto. Nesta primeira leitura muito refleti, muito questionei, emocionei-me, me senti algumas vezes.

Sucesso amigo Vergetti. Nós leitores seremos gratos por mais uma obra enriquecedora da Literatura Brasileira. Enriquecedora de nós mesmos.

Olynda Ap. Bassan Franco