O Período Sombrio

EKSTROM, Bertil – História da Missão – Uma guia de estudo da História Missionária, Descoberta Editora Ltda. Fichamento do Capítulo 3 – O Período Sombrio:

O autor descreve como período sombrio, o declínio espiritual das igrejas entre os anos 500 a 1000 da era cristã, a pouca iniciativa de expansão missionária por conta do “casamento” da Igreja de Roma e o Império Romano, seguindo-se à invasão dos árabes e da fé muçulmana, dando ao período uma característica de derrota. Aponta como fatores para o declínio do Império Romano: O crescimento da Igreja na Idade Média através das conquistas políticas e militares e as respectivas conveniências políticas oriundas destes fatos; o ataque dos bárbaros e dos árabes; o sincretismo religioso por causa das conversões em massa trazendo sérios problemas e causando divisões à Igreja; e a união Estado-Igreja que fez ruir tanto um quanto o outro, levando a Igreja a dividir-se em ocidental e oriental, perdendo centros fortes, como o de Cartago. É apresentado Gregório, o Grande, o Bispo de Roma destacado por seu grande interesse missionário, priorizando missões à Bretanha e enviando para lá Agostinho, em 856, com a tarefa principal de converter os reis e governantes. Gregório fundou a teologia romana, mais tarde contestada por Martinho Lutero. Faz a citação de Beda (p. 10) enviada ao abade Melino que estava indo para a Bretanha, referindo-se à estratégia missionária de Gregório:

“Os templos pagãos não precisam ser destruídos, apenas os ídolos encontrados neles[...] Como o povo está acostumado[...] a matar muitos bois para ofertá-los aos demônios[...], precisa aprender a matar o gado em honra de Deus e para o seu próprio alimento em lugar de homenagear o diabo[...] Se lhes concedermos essas alegrias exteriores, terão maiores possibilidades de descobrirem a verdadeira alegria interior”.

O autor apresenta outras pessoas comprometidas com a divulgação do evangelho, entre eles: Wilibrord, monge inglês em missão entre os frísios (hoje Holanda e Bélgica), cuja estratégia era alcançar os não alcançados, trabalhando com a igreja existente em busca de reavivamento; Bonifácio, que na verdade se chamava Wynfrith de Crediton, tinha sua base missionária na Inglaterra e com seu discurso agressivo e desafiador aos deuses, visava evangelizar o continente europeu derrubando árvores santas e construindo igrejas em locais sagrados. Fundou mosteiro, educou e civilizou, além de ensinar artes domésticas, agricultura e pastoreio ao povo. Bonifácio trouxe freiras da Inglaterra, engajando assim pela primeira vez as mulheres na obra missionária. Agostinho, que conseguiu após um ano de trabalho ganhar o rei Egbert de Wessex e batizar 10.000 saxões. Anskar, místico que tinha visões e sonhos, ambicionava alcançar a coroa do martírio, atravessou a porta difícil de abrir trabalhando fora dos centros cristãos. Fez três viagens missionárias à Suécia; chamado de apóstolo do norte por ter sido o primeiro a evangelizar a Escandinávia. Carlos Magno, rei dos francos, fez campanha contra os saxões e outros povos ampliando seu império e a fé cristã, cristianizando os bárbaros e os muçulmanos. Iniciou o Renascimento Carolíngio, reestruturando grande parte da Igreja de Roma.

O autor aponta a Igreja Nestoriana como o grupo mais interessante da igreja oriental. Nome que vem de Nestório, patriarca de Constantinopla. Apresenta características dos missionários nestorianos que evangelizaram grande parte da Ásia, alcançando a China: eram celibatários, viviam em mosteiros, tinham escolas para missionários de altíssimo nível e profundo zelo missionário.

O autor descreve o Islamismo, influenciado pelo Judaísmo e pelo Cristianismo, como uma reação ao suposto politeísmo da fé cristã. Neste ponto são apresentados os fundamentos da fé islâmica bem como as práticas que devem ser observadas pelos muçulmanos.

O autor conclui afirmando que o desaparecimento do império romano como a força protetora do Cristianismo, a perda do poder da Igreja de Roma e a invasão do Islamismo deixaram o território conquistado pela fé cristã sem igrejas ativas. Entretanto, a Igreja Cristã tanto no ocidente como no oriente tem dado continuidade ao trabalho missionário, alcançando outros povos.

PaPeL
Enviado por PaPeL em 14/04/2010
Reeditado em 14/04/2010
Código do texto: T2196161
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