O CAÇADOR DE PIPAS - Kalhed Hosseini

Kalhed Hosseini

Nasceu na capital do Afeganistão, Cabul. Sua mãe era professora de uma escola de segundo grau para garotas em Cabul. Seu pai se envolveu com o Ministério do Exterior afegão. Em 1970, o Ministério do Exterior enviou sua família para o Teerã, Irã, onde seu pai trabalhou para a Embaixada Afegã. Um homem hazara, chamado Hossein Khan, trabalhou para os Hosseini quando eles moravam no Irã. Quando Hosseini estava cursando seu terceiro grau, ensinou Khan a ler e a escrever. Ainda que o relacionamento com Hossein Khan tenha sido breve e um tanto formal, a afeição de Hosseini por esta rápida amizade serviu como inspiração para o relacionamento entre Hassan e Amir em “ The Kite Runner ”. O Caçador de Pipas.

Sobre o Livro

Em sua cultura, o Afeganistão era dividido entre os povos Pachtum de Cabul e os Hazaras de Hazarajat. Entre o povo de Cabul havia muitas pessoas ricas, da alta sociedade, considerados “o verdadeiro povo Afegão” , ao passo que os Hazaras, de condição mais humilde, de classes materialmente inferiores, eram comumente empregados e serviçais.

Essa “divisão” sintetiza-se em Hassan e Amir e em seus contextos de vida.

Amir era Pachtum, nasceu em “ berço de ouro” , seu pai era um grande empresário da construção civil

Hassan era de descendência Hazara, portanto cresceu trabalhando com uma família humilde, fiel serviçal a família com a qual morava, no caso a de Amir.

Os dois cresceram como irmãos, brincavam, comiam, e soltavam pipas sempre juntos. Quando chegavam na pré-adolescência, Amir foi percebendo algumas habilidades naturais de Hassan, a atitude, personalidade, sagacidade, agilidade e vivacidade que faltavam em Hassan, e o que certamente contribuiu para alguns maus tratos dispensados a Hassan por Amir.

A fidelidade e dedicação de Hassan ao amigo Amir, era a prova de mísseis soviéticos, algo tocante e enternecedor, o menino Hazara era campeão em apanhar as pipas, e presenteava todas a Amir, sempre respondendo angelicamente: “ Por você, faria mil vezes! ”

Com a intensificação das guerras internas, por interesses em terras, e também pelos rios que eram mui escassos naquela região, o governo obrigou muitos jovens a lutar pela sua nação.

Amir e seu pai fugiram para os Estados Unidos nesse ínterim, Amir casa-se com Soraia, “ e sente pela primeira vez, o carinho mavioso dos braços e do corpo de uma mulher. ”

Mas a imagem memorável de Hassan uma e muitas vezes roubava-lhe o pensamento. Onde andava Hassan? O que estaria fazendo? Era tomado por um sentimento de amargura e ingratidão que tocava-lhe nas cordas d’alma, e as pupilas umedeciam.

Mesmo sob os cuidados afetuosos de Soraia e Amir, seu pai não resiste e falece de câncer.

Amir que desde criança apreciava as histórias e fabulas dos escritores do Oriente Médio, bem como uma disposição de produzir textos de ficção, torna-se um escritor bem sucedido.

Um dia, ele recebe notícias de seu padrinho que havia permanecido em seu país para lutar. Em uma carta, ele dizia que Hassan era seu irmão, onde ele pode compreender, a ligação tão singular e inseparável que tinha com Hassan. Infelizmente Hassan é morto na guerra, mas havia deixado um filho, ele viu neste fato, uma oportunidade ímpar de reparar todo o mal e frieza que havia demonstrado a Hassan.

Certamente o “ resgate” desta criança constituiu-se num filme ou romance a parte, devido as terríveis dificuldades que Hassan teve que suportar, como a temível violência dos talebans, e a espinhosa burocracia para liberação da documentação do pequeno Sohrab.

Hassan encontrou também, muitas dificuldades para conquistar a confiança da criança, mas paulatinamente, atravéz de “pequenas vitórias ”, ia obtendo êxitos.

Como não puderam ter filhos, Amir e sua esposa criaram Sohrab como se fosse seu próprio filho. Amir pode então se redimir do que fez e “ não fez ” por Hassan, dissolvendo o peso e a angustia que tinha n’alma, e substituindo esse sentimento, por puro jubilo primaveril, emanado do sorriso de Sohrab.

E pode repetir para Sorhab , entre uma brincadeira e outra: “ Por você faria mil vezes. ”

Questão Cultural –

O livro descortina com cores diversas uma cultura que pra nós do ocidente sempre esteve envolta em mistério. excêntricidade, fundamentalismo, dominação, preconceitos sobretudo com as mulheres, guerras e pobreza.

De modo que no aspecto cultural fica-nos evidente o apego dos Afegãos ao seu Deus, as seus costumes, aos seus valores, a família, naturalmente tudo isso aos seus modos e tradições, indiferentes ao olhar curioso e questionador do ocidente.

Questão da Dominação –

A dominação, este é um aspecto que também grassa no livro, até porque a história do Afeganistão como nação é sinônimo de dominação, e o livro enfatiza-nos isso de diversas maneiras, desde as brigas internas pra se obter o domínio, a resistência ao custo de muito sangue e vidas, bem como a dominação soviética.

Não tem como não mencionar também a dominação que é imposta as mulheres, as restrições desde a vestimenta, a privação dos espaços democráticos a falta de liberdade, oportunidades pra que elas possam impor suas habilidades e virtudes , visto que em outros paises elas tem sido determinantes para o avanço da democracia nas suas mais diversas facetas, o livro nos mostra que no Afeganistão, esta realidade esta muito distante.

Questão Social –

Na questão social o escritor Kalhed Hosseini, explorou muito bem o eterno abismo entre pobres e ricos, no caso de Amir e Hassan, entre Pasthuns (“ricos”) e Hazaras ( “ pobres” ) a amizade sólida entre os dois meninos dissolve esse abismo, até porque Hassan mesmo fragilizado e sendo um simples serviçal, impressiona Amir pelas habilidades naturais, sobretudo como um exímio caçador de pipas.

O livro nos mostra, que apesar da “parede” esburacada por mísseis soviéticos que separa pobres e ricos naquele país, a amizade entre duas crianças, seus temores e angustias, as banalidades que as fazem sorrir ou chorar , seus sonhos e aspirações, seus pactos ingênuos, todas essas facetas no submundo das crianças, são mesmo universais, derrubando todas as barreiras, e porque não, transmitindo uma valiosa lição para os adultos.

Questão Econômica –

O escritor Afegão, desenvolve boa parte de seu lindo romance, sobre um Afeganistão em frangalhos economicamente, pobreza, sofrimentos, dor. Visualizamos as ruas áridas, com seus idosos e crianças se esmorecendo sem esperanças, a escassez de alimentos, o pão tipo pedra sem nenhum embrulho, as casas carcomidas . Assim, a generosidade de Amir para com Hassan na sua condição privilegiada, partilhando os seus recursos inclusive o da leitura, e o contar de histórias, atenua um pouco as diferenças econômicas entre os meninos, mas demarcam ainda mais essas mesmas diferenças naquele país.

Valores –

Quando o assunto é valores, sem dúvidas, o livro ganhou matiz especial, quer seja no solene ritual do casamento entre Amir e Soraia, que encerra todo um conjunto de valores respeitados e blindados para com o matrimônio naquele país.

Quer seja no pacto de amizade e admiração demonstrado por Hassan, que por exemplo numa ocasião que sofre humilhações de Amir, prefere resignar-se ao sofrimento imposto pelo amigo, a possibilidade de quebrar o pacto de amizade e fidelidade para sua satisfação e dignidade, sentimento que Hassan retribui com nobreza ao voltar para o Afeganistão para salvar o filho de Hassan, e dissolver o sentimento de culpa que o atormentou em todo o livro, devido sua atitude na fatídica cena do estupro.

Conclusão:

Gostaríamos de enfatizar que a amizade entre duas crianças, seus temores e angustias, as banalidades que as fazem sorrir ou chorar , seus sonhos e aspirações, seus pactos ingênuos, todas essas facetas do seu submundo pueril, são mesmo universais, derrubando todas as barreiras, e porque não, transmitindo uma valiosa lição de equidade e solidariedade que devia pavimentar também, as relações entre os adultos.

Visitem-me :D

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Davi Cartes Alves
Enviado por Davi Cartes Alves em 02/09/2010
Reeditado em 02/09/2010
Código do texto: T2474270
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